O Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu terça-feira o acordo com o homólogo Vladimir Putin para fornecimento de gasóleo russo aos mercados globais, implicando o alívio de sanções a Moscovo, perante descontentamento no Partido Republicano.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu terça-feira o acordo com o homólogo Vladimir Putin para fornecimento de gasóleo russo aos mercados globais, implicando o alívio de sanções a Moscovo, perante descontentamento no Partido Republicano.
Na Casa Branca, Trump argumentou que o acordo beneficia não apenas os Estados Unidos pois o gasóleo “está a ser libertado para o mundo”, e criticou os ataques ucranianos a refinarias de petróleo russas, afirmando que não são “uma coisa muito boa”.
Vários legisladores do Partido Republicano, incluindo quatro senadores, manifestaram-se no domingo contra o acordo e a subsequente autorização para a venda, entrega e importação de gasóleo russo — incluindo a sua entrada no mercado norte-americano — até 07 de abril de 2027, apesar das sanções em vigor.
Num comunicado bipartidário, assinado também por três democratas da câmara alta, os legisladores lembram que o Congresso proibiu “explicitamente” importações de energia da Rússia em 2022 para evitar que “os dólares norte-americanos financiassem a guerra brutal de Putin contra a Ucrânia”.
Trump justificou à imprensa a licença concedida pelo Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC), que permite agora estas operações, mantendo ao mesmo tempo as restrições aos pagamentos via contas de três instituições financeiras do Estado russo.
Para estes legisladores, a decisão do Presidente é “diretamente contrária” à lei das sanções, além de não ter havido consulta ao Congresso ou sequer “explicação que justifique esta decisão, como exige a lei”.
A Câmara dos Representantes aprovou, em setembro, um pacote de sanções contra a Rússia e o Irão que concede a Trump novos poderes para impor tarifas até 100% aos países que comprassem energia russa.
Face à escalada dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos desde o início da guerra contra o Irão – desencadeada em fevereiro por Donald Trump e Israel -, este acordo é visto como uma forma de aliviar parcialmente a situação dos consumidores norte-americanos, precisamente antes de eleições intercalares cruciais para o Presidente norte-americano.
Para surpresa geral, Trump anunciou, no domingo, um “cessar-fogo energético” entre a Rússia e a Ucrânia.
Zelensky reagiu com surpresa ao anúncio do cessar-fogo, embora tenha dito estar aberto a um cessar-fogo energético.
O líder ucraniano sublinhou ainda que, na noite de domingo para segunda-feira, a Ucrânia não atingiu nenhuma instalação energética na Rússia, ao contrário de Moscovo, que atacou uma instalação de gás e “um posto de abastecimento de combustível comum”.
O Kremlin recusou na segunda-feira dizer se adere a uma trégua com a Ucrânia nos ataques a infraestruturas energéticas, mas defendeu como preferível uma “paz duradoura”, afirmando manter contactos sobre o cessar-fogo anunciado unilateralmente por Trump.
Questionado sobre o apelo de Kiev a um cessar-fogo total de 60 dias para permitir a realização de eleições, Peskov respondeu: “Não queremos um cessar-fogo, queremos uma paz duradoura”.
Na segunda-feira, Trump afirmou que a trégua energética que anunciou está plenamente em vigor, apesar das afirmações em sentido de contrário de Kiev e Moscovo.
“Eles chegaram a um acordo porque eu disse que tinham chegado a um acordo”, respondeu Trump aos jornalistas na segunda-feira Casa Branca.
Questionado sobre a possibilidade de o Kremlin ter violado tal trégua, Trump disse não ter conhecimento e frisou que os líderes russo e ucraniano “precisam de se reunir e acabar com esta guerra ridícula”.
Trump voltou a criticar a alegada falta de vontade de negociar do homólogo ucraniano e indicou que Vladimir Putin parece mais inclinado a assinar a paz.
“Penso que o que acontece é que ele (Putin) quer chegar a um acordo, e temos de fazer com que Zelensky também queira chegar a um acordo”, afirmou.
Desde o verão, a Rússia intensificou significativamente os seus ataques contra a Ucrânia, visando especialmente a capital com o lançamento de drones a jato, que são mais difíceis de intercetar do que os drones convencionais.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e «desnazificar» o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
Fonte: Notícias ao Minuto