Mocímboa da Praia: Madeira apreendida desaparece

Sete mil quinhentas e dezassete das 9117 pranchas de madeira apreendidas pela Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA), prontas para serem exportadas para a República Unida da Tanzânia, podem ter sido desviadas ou desaparecido da vila autárquica de Mocímboa da Praia, pois o Sector das Actividades Económicas local tem nos seus armazéns apenas 1600 pranchas, como fiel depositário.

O técnico do Sector das Actividades Económicas de Mocímboa da Praia, que não se quis identificar, disse a jornalistas que apenas recebeu dos fiscais das florestas 1600 pranchas. A reportagem do “Notícias” que esteve em Mocímboa da Praia visitou as sete residências onde há cerca de três semanas foram apreendidas 9117 pranchas e não viu uma única Tábua e os seus proprietários não se quiseram pronunciar sobre o assunto.

Trata-se de um total de 9117 de pranchas de madeira, ou seja, cerca de de 547,2 metros cúbicos de madeira das espécies umbila e chanfuta, consideradas preciosas, que, recentemente, foram apreendidas na vila autárquica de Mocímboa da Praia, prestes a serem exportadas ilegalmente para a República Unida de Tanzânia.

A informação do desaparecimento da madeira apreendida não foi confirmada pelo Governo Distrital de Mocímboa da Praia e, de acordo com Sérgio Cipriano, o administrador do distrito, Sérgio Cipriano, está à espera do desfecho do caso.

O dirigente não confirmou informações segundo as quais há cerca de três semanas uma barcaça proveniente de Zanzibar carregou uma quantidade não especificada de madeira em pranchas à noite e seguiu para a Zanzibar, região autónoma da República Unida da Tanzânia.

De acordo com Sérgio Cipriano, inicialmente, a AQUA havia escolhido o Governo local como fiel depositário do produto apreendido, mas a Procuradoria Distrital, em cumprimento da lei sobre o caso, ordenou que esta responsabilidade fosse dos Serviços Distritais das Actividades Económicas.

O administrador de Mocímboa da Praia aventou a hipótese de a madeira apreendida ter sido cortada e cerrada naquele distrito, defendendo que a insegurança que se vive em Mocímboa da Praia tornaria difícil a entrada de pessoas nas profundezas das matas para fins de exploração.

Afirmou que a população que voltou a Mocímboa da Praia depois de se deslocar devido aos ataques terroristas, e estar envolvida na reconstrução das suas residências, não se atreveria a entrar mata adentro para cortar e processar madeira, com o intuito de exportá-la. “Entendemos que a madeira pode ter sido trazida de outros distritos onde há relativa segurança. Penso que o objectivo de trazerem o produto a Mocímboa da Praia era mesmo exportá-la ilegalmente, através do nosso mar.

Mas, como disse, as entidades envolvidas, nomeadamente a AQUA, a Procuradoria e as Forças de Defesa e Segurança, poderão esclarecer melhor. Estamos à espera”, admitiu Cipriano. A fonte acrescentou que espera que a madeira reverta a favor do Estado, e, se isso acontecer, que seja usada no fabrico de carteiras escolares. “Temos alunos que estudam sentados no chão, esta madeira apreendida iria nos ajudar a resolver este problema”.

Sobre a identidade dos autores da tentativa de exportação ilegal da madeira em causa, o administrador disse que as instituições envolvidas no processo deverão esclarecer quem são. “Como disse, nós apenas tomámos conhecimento deste assunto, e sobre processos subsequentes, hão-de ser as próprias entidades a esclarecer, porque, de facto, todos precisamos de saber”.

Há duas semanas, os 547,02 metros cúbicos de madeira foram apreendidos pelas autoridades na vila de Mocímboa da Praia. A mesma estava armazenada em sete residências, na zona de Nabubuci, da praia de Zalala, nesta vila autárquica.

Ainda sobre este caso, segundo informações em nosso poder e confirmadas pela AQUA, nesta província, há uma equipa multissectorial envolvendo a Procuradoria e Forças de Defesa e Segurança que está a trabalhar para identificar os prevaricadores, e que, depois da conclusão das investigações, nos próximos dias, irá se pronunciar.

O administrador de Mocímboa da Praia não confirmou informações segundo as quais há cerca de três semanas uma barcaça proveniente de Zanzibar carregou quantidade não especificada de madeira em pranchas, numa noite e desapareceu da costa desta urbe, com destino a Zanzibar.

“Entendemos que a madeira pode ter sido trazida de outros distritos onde há relativa segurança. Penso que o objectivo de trazerem o produto a Mocímboa da Praia era mesmo exportá-la ilegalmente, através do nosso mar. Mas, como disse, as entidades envolvidas, nomeadamente a AQUA, a Procuradoria e as Forças de Defesa e Segurança, poderão esclarecer melhor. Estamos à espera”, admitiu Cipriano.

Fonte: Jornal Notícias

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