Terminaram ontem, à excepção de Manica (que vai realizar a sua conferência próximo fim-de-semana), as conferências provinciais de eleição dos delegados à 11.ª Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, agendada para os dias 21 a 23 de Agosto, na cidade de Chimoio.
Além do processo eleitoral, houve debate sobre a situação sociopolítica e económica do país, bem assim, no seio do partido, cuja tónica foi a necessidade do reforço da coesão interna e respeito do princípio unidade-crítica-unidade, com os membros a saírem galvanizados rumo à reunião que não se realiza há mais de dez anos.
As conferências provinciais foram o culminar de um processo iniciado em Janeiro, nas células, localidade, zona e distrito, em que se elegeu diferentes membros que compõem as organizações sociais, designadamente Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, Organização da Mulher Moçambicana e Organização da Juventude Moçambicana.
O secretário do Comité Central para a Comunicação e Imagem, Pedro Guiliche, disse que o processo decorreu de forma livre e cordial, em que foram abordadas questões da vida sociopolítica e económica do país e recolhidas várias contribuições a corporizar os debates em Agosto.
Observou que, para a conferência de Chimoio, são esperados 2600 participantes, entre delegados e convidados, os quais terão a oportunidade de analisar todas as contribuições havidas em sede do debate a nível provincial em que foi reforçada a união, coesão, princípio democrático, que orientam a visão política da Frelimo.
Sublinhou que a conferência não pode e não deve ser apenas mais uma. “Deve ser a conferência da reinvenção e da reestruturação, em que se volta a colocar ao de cima o princípio da unidade-crítica-unidade como motor central para gerar um novo paradigma de governação da sociedade e do Estado”.
Reflectir sobre os desafios
A propósito deste evento, domingo entrevistou alguns primeiros-secretários provinciais das regiões Sul, Centro e Norte, os quais descrevem o processo eleitoral como tendo sido livre, justo e um verdadeiro exercício democrático no partido.
António Niquice, primeiro-secretário da cidade de Maputo, disse que a sua delegação será composta por 121 delegados, que levam as principais preocupações da capital do país a serem debatidas em Chimoio.
Destacou a necessidade de fortalecer a união e coesão no partido, “mas, sobretudo, impermeabilizarmos contra as manobras subversivas do inimigo e trabalhar para promover a almejada independência económica através do incremento da produção e transformação interna dos recursos”.
Ainda no Sul, entrevistamos Adélia Macucule, de Inhambane, que disse que a sua delegação será composta por 146 elementos eleitos democraticamente, os quais, entre outros aspectos, vão defender um desenvolvimento inclusivo e sustentável assente no aproveitamento do potencial da província.
“Levamos aos debates a necessidade de potenciar a economia azul e verde, onde vamos defender a valorização da pesca artesanal, turismo costeiro e a agricultura familiar como verdadeiros motores de emprego e geração da renda para as comunidades”, disse Macucule.
Da região Centro ouvimos Luís Nhanzozo, da província de Sofala, que apontou como agenda a Chimoio o compromisso inabalável de fortalecer a unidade e coesão internas.
“Também vamos abordar a necessidade da melhoria contínua do funcionamento dos órgãos do partido, bem assim das condições de vida da população em diferentes áreas”, disse Nhanzozo, acrescentando que a sua delegação será composta por 150 delegados, dos quais cinco são convidados.
Por seu turno, Cláudio Hoda, da província de Tete, afirmou que a sua delegação será composta por 162 delegados, os quais vão debater, entre outras questões, a gestão dos recursos minerais para o desenvolvimento integrado do país.
Por seu turno, José Kalime, da província de Cabo Delgado, disse que a sua delegação será composta por 153 membros, cujos temas principais de debate serão a necessidade de esboçar acções para se pôr termo ao terrorismo em alguns distritos, desde Outubro de 2017.
No entanto, reconhece que nos últimos tempos há melhoria da segurança em resultado da entrega das Forças de Defesa de Moçambique e as suas congéneres do Ruanda e da Tanzânia.
Por seu turno, Gilberto Francisco, de Nampula, referiu que a província leva 171 delegados e dez convidados, tendo na manga o debate sobre a necessidade da consolidação da ligação entre o partido e a população, bem assim da unidade nacional, defesa da paz, fortalecimento da ética e responsabilidade na governação.
Fonte: Jornal Notícias