Após retoma das obras: Mozambique LNG alcança 45% de execução

by Sérgio Tinga
Antes suspenso pela instabilidade militar em Cabo Delgado, o projecto Mozambique LNG, desenvolvido na Área 1 da bacia do Rovuma, já alcançou cerca de 45% de execução física e mantém a meta de iniciar a produção comercial de gás natural liquefeito em 2029. A garantia foi dada pela petrolífera francesa TotalEnergies durante a apresentação dos resultados referentes ao segundo trimestre de 2026.  

Segundo o presidente executivo da multinacional, Patrick Pouyanné, a retoma das actividades, oficializada em Janeiro deste ano, permitiu acelerar a mobilização de recursos humanos e materiais no complexo de Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado. Actualmente, entre sete mil e oito mil trabalhadores encontram-se envolvidos nas diversas frentes de construção do empreendimento.  

O gestor explicou que o avanço das obras corresponde à trajectória inicialmente projectada, salientando que o projecto já ultrapassou a marca dos 40% de execução e aproxima-se dos 45%, o que reforça a confiança da empresa na concretização do calendário estabelecido. Apesar dos progressos registados, o responsável reconheceu que a escalada do conflito no Médio Oriente provocou perturbações na cadeia logística do empreendimento. Parte significativa dos equipamentos destinados ao projecto estava a ser produzida nos Emirados Árabes Unidos e noutras unidades industriais da região, o que dificultou temporariamente o seu transporte para Moçambique.  

Ainda assim, a TotalEnergies considera que esses constrangimentos foram ultrapassados e assegura que não mecomprometem os objectivos definidos para o arranque da produção. A empresa mantém, por isso, a previsão de colocar em funcionamento a primeira unidade de liquefacção de gás natural em 2029.  

Durante o encontro com analistas, Patrick Pouyanné voltou igualmente a destacar Moçambique como uma das apostas estratégicas da companhia para os próximos anos. O dirigente colocou o País ao lado de mercados considerados prioritários para a expansão do grupo, como Suriname, Namíbia e Malásia, sublinhando a importância da diversificação geográfica das operações da empresa.  

Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, o Mozambique LNG figura entre os maiores investimentos privados realizados em África e é apontado como um projecto decisivo para a transformação de Moçambique num dos principais exportadores mundiais de gás natural liquefeito.   Entretanto, a bacia do Rovuma continua a consolidar-se como um dos maiores centros de exploração de gás do continente. Dos três grandes projectos aprovados para o aproveitamento das gigantescas reservas descobertas ao largo da costa de Cabo Delgado, apenas o Coral Sul FLNG, operado pela Eni, se encontra actualmente em produção, actividade iniciada em 2022.

Além do Mozambique LNG, avançam igualmente os preparativos para outros empreendimentos de grande dimensão. Em Outubro do ano passado foi aprovada a plataforma Coral Norte FLNG, orçada em 7,2 mil milhões de dólares, que deverá elevar significativamente a capacidade produtiva do País a partir de 2028. Já o projecto Rovuma LNG, da Área 4, liderado pela ExxonMobil, representa um investimento estimado em 30 mil milhões de dólares e prevê produzir 18 milhões de toneladas anuais de GNL após 2030, estando a decisão final de investimento prevista para Setembro deste ano.

Fonte: Dossier e Factos

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