Israel ignora Trump e retalia em força contra o Irão. Há risco iminente de voltar a guerra total

by Telma Mandlate

Uma chamada telefónica serviu para garantir que quem decide é a Casa Branca, mas uma outra decisão, esta vinda de Israel, mudou tudo e colocou a situação num novo pico de tensão

O presidente dos Estados Unidos terminou o fim de semana com uma posição de força que rapidamente fez ricochete. Em declarações ao Financial Times, Donald Trump garantiu que era ele quem decidia quando, como e contra quem disparar no Médio Oriente, deixando Israel numa aparente posição de fragilidade.

Quando Donald Trump falou já havia confirmação de que o Irão tinha lançado um ataque direto contra Israel, algo que não acontecia há já mais de dois meses, e que foi motivado pela continuação das operações israelitas no Líbano. Uma operação que terá sido apenas preventiva, com todos os projéteis intercetados, ainda que alguns destroços tenham caído já em Israel, como se vê na fotografia de capa deste artigo.

Mas o presidente norte-americano falou e acreditou que estava tudo dito. “Não vai ter nenhum impacto nas negociações. Sou eu que tomo as decisões, sou eu que tomo todas as decisões. Não é ele [Benjamin Netanyahu] que toma as decisões”, afirmou Donald Trump ao jornal britânico, garantindo que o primeiro-ministro de Israel estava forçado a aceitar um acordo, já que não tinha “outra escolha”.

O problema para Donald Trump, que parece mais do que nunca com vontade de sair da guerra sem novos confrontos, é que Benjamin Netanyahu entendeu as coisas de outra forma, pelo que as primeiras horas da madrugada no Irão foram feitas de explosões em cidades como Teerão, Tabriz ou Isfahan.

Na prática, os bombardeamentos voltaram ao centro do Irão, no que é uma clara escalada da situação, ficando o Médio Oriente perante um iminente regresso à guerra total, faltando perceber como vai a Casa Branca reagir a esta aparente desobediência de Israel, que não atacava solo iraniano desde abril.

A agência iraniana IRNA confirmou “duas explosões fortes” na capital, havendo outras três a registar em Isfahan, além de se terem confirmado relatos de explosões em Tabriz, segundo a televisão IRIB.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) acabaram por confirmar a realização de ataques contra “alvos militares” no oeste e no centro do Irão, à medida que no Líbano a guerra também continua em força, o que terá desencadeado a operação lançada a partir de Teerão, que já disse que qualquer acordo tem como a exigência a retirada total de Israel daquele país.

Trump apanhado de surpresa

A ação de Israel contra o Irão chegará sempre em tom de surpresa à Casa Branca, até porque Donald Trump tinha prometido para esta semana desenvolvimentos significativos nas negociações de paz.

De resto, a convicção da administração norte-americana era essa mesma, tanto que o portal Axios, pelo sempre bem informado jornalista Barak Ravid, dava conta minutos antes do ataque de Israel ao Irão de que Benjamin Netanyahu tinha concordado em não atacar.

A notícia refere um “pseudoacordo”, o que acabou por se confirmar mesmo, já que a posição que foi transmitida a Donald Trump deixou a Casa Branca a imaginar que “o presidente [norte-americano] comprou um pouco de tempo”, como escreve o Axios.

“[Donald Trump] está bastante convicto de que estamos perto de um acordo com o Irão. Não creio que haja nada iminente em termos de um ataque israelita”, disse um responsável norte-americano, que falava num “momento crucial” e admitia que uma operação de Israel contra o Irão nesta altura poderia colocar tudo em risco.

Irão a avisar

Ainda antes de ver Israel responder, talvez igualmente convicta de que Telavive ia seguir as instruções de Washington, a Guarda Revolucionária Islâmica indicou que o ataque a solo israelita era apenas um aviso.

Teerão sublinhou que manteve a promessa ao povo libanês, tendo enviado o que entendeu ser uma mensagem forte contra o inimigo, que pouco depois retaliou.

Fonte: CNN Portugal

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