Barulho na Associação dos Diplomatas Moçambicanos: Projecto imobiliário de duas torres de quinze andares divide alas

by Biston Gule

Está instalado um grande alvoroço na Associação dos Diplomatas Moçambicanos, uma agremiação que congrega profissionais do serviço diplomático e consular do país. Em causa está um negócio imobiliário envolvendo o valioso terreno onde até agora funcionava a sede da Organização, na Av. Julius Nyerere, nas imediações do Ministério da Defesa Nacional e do Palácio Presidencial da Ponta Vermelha.

A actual Direcção da Associação decidiu fazer um negócio com uma empresa imobiliária turca que consiste em mandar abaixo o edifício colonial que funcionava como a sede da Organização e no mesmo espaço construir duas torres de quinze andares, cada, e Associação beneficiar de algumas fracções autónomas numa das torres que serão erguidas nas Parcelas 42 e 44.

A sede localizada na zona mais valiosa da capital foi oferta do Estado moçambicano através de um “lobby” feito pelo Ministério dos Negócios e Cooperação junto do Ministério das Finanças.
Mas tudo indica que não há consenso entre os diplomatas, havendo duas alas. Uma ala não concorda com o negócio feito e defendia que a sede, um edifício colonial, fosse mantida intacta por constituir um dos patrimónios históricos da cidade. Há uma outra ala que viu no negócio uma grande oportunidade de modernizar a sede e aumentar as rendas da Associação e com as habituais comissões de intermediação.

A actual Direcção, liderada por Laura Silva, firmou a um acordo com a empresa turca “SIA Imobiliária Limitada” para desenvolver o projecto. Parte dos diplomatas, não concordando com esse negócio, começaram um movimento para tentar bloquear o negócio. Segundo apurou o “Canal de Moçambique”, esse grupo até marcou um encontro com Daniel Chapo e Rasaque Manhique para travar a demolição do edifício histórico. O Conselho Municipal até se predispôs a reanalisar o assunto. Só que numa das noites, enquanto esse “lobby” era feito, os turcos, que já tinham as licenças, mandaram abaixo o edifício colonial e limparam o terreno em dois tempos.
Neste momento, as duas parcelas estão prontas para receber obras de construção. O edifício colonial que se queria defender está transformado em entulho e já foi removido do local.

Os diplomatas que não estão favor da alienação daquele espaço para um novo projecto imobiliário de luxo tentaram, sem sucesso, alegar que aquele edifício e o espaço tinham um simbolismo histórico e cultural para cidade de Maputo, tanto que foi instituído património cultural da cidade de Maputo, sendo protegido pela Lei n.º 10/88, de 22 de Dezembro.

A mesma ala de diplomatas considera que a Lei n.º 10/88, de 22 de Dezembro, atribui competência de classificação ou anulação da classificação de bens do património cultural é o Conselho de Ministros que delega funções ao sector da Cultura. Assim, socorrendo-se do n.º 1, do Artigo 11 consideram: “A alienação de um bem classificado deve ser previamente notificado ao Ministério da Cultura, gozando o Estado de direito a preferência em caso de venda. Portanto, a lei não impede o progresso. Mas o património classificado deve ser enquadrado dentro dessas novas construções e não simplesmente deitar-se a baixo todo o património cultural da cidade de Maputo.”

Associação terá uma das torres com quinze andares
A actual presidente da Direcção da Associação dos Diplomatas Moçambicanos, Laura Guambe Silva, confirmou ao “Canal de Moçambique” a assinatura do memorando de entendimento com os turcos da empresa “SIA Imobiliária”, representada pelo director-geral, Sefa Ayan, e pelo seu sócio Halit Ibrahim Özbaytemur.

“Foi firmada uma parceria com estes empresários turcos e desta parceria serão construídas duas torres com quinze andares. Ficou acordado que a Associação dos Diplomatas Moçambicanos fica com um edifício de quinze andares”, afirmou Laura Guambe Silva.

E disse que nesta parceria não há nada ilegal, tendo sido a melhor negociação que a Associação teve. Disse que muita das vezes algumas agremiações entram em parcerias, mas nenhuma é tão benéfica ao ponto de conseguir-se ficar com um edifício de quinze andares.

Questionada sobre o facto de o edifício da Associação ter sido demolido, mesmo ela sabendo que aquele edifício foi instituído património cultural da cidade de Maputo e é protegido pela Lei n.º 10/88, de 22 de Dezembro, a presidente do Conselho de Direcção da Associação dos Diplomatas respondeu: “Não é verdade. O edifício não faz parte do património cultural da cidade de Maputo. Tudo seguiu a conformidade coma Lei, as demolições do edifício foram autorizadas pelo Conselho Municipal de Maputo. E não acho que o Município pode emitir uma autorização contrária à Lei, portanto nada viola a Lei”.

Fonte: Canal de Moçambique

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