Redução da mortalidade: Necessário mais investimento no subsistema comunitário

by Telma Mandlate

Moçambique vê-se desafiado a intensificar os investimentos com vista ao fortalecimento do subsistema comunitário de Saúde, como uma das principais estratégias para prevenção e redução da mortalidade materna, neonatal e infantil, cujos níveis continuam alarmantes.

De acordo com as autoridades sanitárias, entre 1997 e 2023, registou-se uma diminuição da mortalidade entre os três grupos, porém as taxas ainda não são satisfatórias, razão pela qual há um risco do incumprimento das metas estabelecidas para o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, até 2030.

A perspectiva é que se registe menos de 70 mortes maternas por 100 mil nados vivos, abaixo de 12 óbitos por cada mil neonatos e menos de 25 perdas de crianças menores de cinco anos em mil nascimentos.

As estatísticas revelam ainda que as províncias de Gaza e Niassa apresentam altas taxas de mortalidade neonatal, devido à prematuridade e asfixia; Cabo Delgado com níveis preocupantes de óbitos por causa da malária e diarreias; e Manica, com níveis elevados de perda materna, provocada por hemorragias obstétricas e hipertensão durante a gestação. Perante este desafio, o ministro da Saúde, Ussene Isse, disse que o subsistema comunitário é um dos pilares fundamentais dos cuidados sanitários, essencial para o acesso universal aos serviços e acabar com este mal.

O governante falava há dias, em Maputo, na abertura da reunião técnicocientífica que antecede o Fórum sobre Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil em Moçambique. Reiterou que através dos cuidados comunitários é possível aproximar os serviços de saúde à população, sobretudo às famílias residentes em zonas remotas, contribuindo para reduzir desigualdades territoriais e sociais, e assegurar que ninguém seja excluído.

Neste contexto, o sector tem apostado na valorização do papel dos agentes polivalentes de saúde, considerados fundamentais na promoção da saúde, prevenção de doenças, vigilância comunitária e ligação entre a comunidade e unidades sanitárias.

Enquanto isso, entende que para reverter o cenário de redução lenta da mortalidade materna, neonatal e infantil, a aposta deve ser numa abordagem mais integrada entre os serviços de saúde e as comunidades, tendo em conta que uma das principais causas dos óbitos está relacionada com a demora na procura pelos cuidados sanitários ao nível comunitário. “Precisamos de soluções concretas e operacionalizáveis para acelerar a redução da mortalidade materna, neonatal e infantil até 2030.

Por isso, apelo aos participantes para que apresentem evidências e propostas práticas a serem implementadas no terreno”, exortou.

O evento contou com a presença do representante da Organização Mundial de Saúde, Severin von Xylander, o director-geral do Instituto Nacional de Saúde, Eduardo Samo Gudo, profissionais de saúde, gestores, parceiros e representantes comunitários com o objectivo de definir estratégias para fortalecer a resposta comunitária e acelerar os progressos na saúde materna, neonatal e infantil em Moçambique.

Fonte: Jornal Notícias

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