Ainda não há detalhes públicos sobre o acordo. Contudo, o Evidências apurou que o Governo conseguiu alcançar um entendimento com a contraparte sul-africana e a australiana South32 para viabilizar a retoma das operações da Mozal, que encerrou operações em Março passado.
A reabertura prevê alterações na estrutura accionista, com o Estado moçambicano a reforçar a sua participação através da integração de entidades públicas, incluindo a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), um dos actores centrais nas negociações que antecederam o encerramento das operações.
Actualmente, a estrutura accionista da Mozal é composta pela South32 (África do Sul/Austrália), com 63,7%, pela Industrial Development Corporation (IDC) da África do Sul, com 32,4%, e pelo Estado moçambicano, com 3,9%.
Com o novo modelo em discussão, esta configuração deverá sofrer alterações significativas, resultando num reforço da presença do Estado no capital da empresa. As negociações contemplam ainda a entrada da Eskom na nova estrutura.
A participação da empresa sul-africana surge num contexto em que o término do histórico contrato de fornecimento de energia coincidiu com o encerramento das operações da fundição.
A produção de alumínio é uma das actividades industriais mais intensivas em consumo de energia e, historicamente, a viabilidade da Mozal sempre esteve associada ao acesso à electricidade abundante e relativamente barata. Durante as negociações, a South32 defendia um preço inferior ao pretendido pela HCB, que, por sua vez, sustentava que determinadas propostas colocariam em risco a sustentabilidade financeira da própria hidroeléctrica.
Em Agosto de 2025, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, chegou a afirmar publicamente que as condições defendidas pela empresa poderiam conduzir ao colapso da HCB.
Nem tudo era ameaça
O impasse prolongou-se durante vários meses. Em Julho de 2025, a South32 começou a alertar os mercados financeiros para a possibilidade de encerramento da unidade.
Em Agosto do mesmo ano anunciou a suspensão de investimentos, a interrupção da substituição de cubas e o afaz… (texto cortado no fim da coluna) ca de 60 milhões de dólares para colocar a fundição em estado de conservação e manutenção, além de uma imparidade contabilística de 372 milhões de dólares associada ao activo.
A importância económica da Mozal explica a mobilização política que se seguiu. O complexo industrial de Beluluane, localizado na Matola Rio, distrito de Boane, Província de Maputo, é considerado um dos maiores investimentos privados da história de Moçambique e representa uma parcela significativa das exportações nacionais, ou seja, fonte de divisas, num contexto de crise.
O próprio Governo reconheceu que a paralisação teria impactos relevantes sobre o emprego, a arrecadação fiscal e a actividade económica associada à cadeia logística e industrial da empresa. O Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, declarou em Fevereiro deste ano que o Executivo estava a fazer “tudo o que era necessário” para impedir o encerramento definitivo da fábrica.
Fonte: Evidências