Sector privado: Estável sim, mas com desafios – Combustíveis causaram o mais significativo aumento nos encargos de produção dos últimos cinco anos

by Sérgio Tinga

O sector privado registou, em Junho último, alguma estabilidade após dois meses consecutivos de contracção em toda a sua cadeia produtiva, mas prevalecem diversos desafios causados por aquilo que se considera “conjuntura difícil” dos últimos tempos. Um dos grandes desafios identificados pelo sector privado está relacionado com a questão dos combustíveis, cuja disponibilidade e acessibilidade têm estado a ser marcadas por dificuldades em quase todo o território nacional.

De acordo com o Purchasing Managers Index (PMI) do Standard Bank, a retoma manteve-se frágil, particularmente por conta da escassez de combustíveis líquidos. Em relação a isso, os cálculos feitos apontam que a questão do aumento dos preços destes insumos resultou no aumento mais acentuado dos encargos com a produção em quase quatro anos.

No concreto, a medição do PMI calculado em função das respostas e percepções apresentadas pelo sector privado fixou-se nos exactos 50 pontos, uma ligeira subida comparando com os 49.9 pontos registados em Maio. Os 50 pontos representam a linha intermédia da estabilização das actividades no sector privado.

Há, por outro lado, a indicação de que o regresso do índice ao equilíbrio reflectiu tendências opostas em Junho, com melhorias ligeiras na produção e nas novas encomendas a serem anuladas por inventários mais reduzidos e por uma ligeira diminuição dos constrangimentos na cadeia de abastecimento. Em contrapartida, a afluência de novos negócios voltou a registar crescimento pela primeira vez em três meses, tendo os inquiridos referido a obtenção de novos clientes, os lançamentos de produtos e a renovação de stocks como os principais factores. “Este resultado do inquérito mensal pode bem reflectir expectativas de que o avanço dos vários projectos de gás natural liquefeito (GNL) contribua para um aumento da procura agregada nos próximos 12 meses” – comenta o economista-chefe do Standard Bank, Fáusio Mussá, anotando que “os avanços na implementação dos projectos de GNL aumentam as perspectivas de uma aceleração do crescimento económico a médio prazo”.

Fonte: MediaFax

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