Cuba agradece solidariedade de Moçambique contra bloqueio

by Sérgio Tinga
O Embaixador de Cuba em Moçambique, Carlos Manuel Rojas-Lago, manifesta agradecimento à solidariedade que o Governo e o povo moçambicanos têm estado a prestar à escala internacional contra o bloqueio que aquele país caribenho está a ser imposto, há mais de 60 anos, pelos Estados Unidos da América.  

As declarações do diplomata foram feitas numa conferência de imprensa convocada, em Maputo, para falar sobre a passagem dos 73 anos do assalto ao quartel de Moncada, a 26 de Julho de 1953, uma data histórico-simbólica para o povo cubano, porque representa o partido de partida para a sua auto-determinação e luta pela sua soberania.  

Na ocasião, Carlos Manuel Rojas-Lago afirmou que Moçambique sempre esteve ao lado de Cuba, o mesmo sucedendo em relação a Cuba, país que esteve na linha da frente de todo o processo histórico de Moçambique, incluindo na formação de jovens em diferentes momentos e contextos do país.  

Ainda no quadro das relações de amizade e cooperação com Moçambique, que as define como de excelência e primordiais, o embaixador afirmou que a Cuba sentir-se-ia honrada em receber uma visita do Presidente da República, Daniel Chapo.  

“Consideramos que seria muito importante uma visita do Presidente Daniel Chapo a Cuba. Num momento em que poucos chefes de Estado visitam o nosso país, por causa das dificuldades impostas pelo bloqueio injusto e injustificado, uma visita do Presidente moçambicano teria um enorme significado político e simbolizaria o forte apoio entre as nossas duas nações”, declarou o diplomata, dizendo que o Chefe do Estado moçambicano já foi convidado a encetar uma visita a este país, “e esperamos que essa visita possa se concretizar quando a sua agenda o permitir”.  

“Para além dessa solidariedade política, acreditamos que devemos reforçar a cooperação bilateral em áreas como a saúde, ensino superior, cultura e comércio”  

Com efeito, falando ainda em torno do bloqueio que tem sido imposto pelos Estados Unidos, o que, segundo disse, resulta numa crise humanitária sem precedentes na história do país, o diplomata cubano referiu que o papel de Moçambique tem sido determinante para denunciar essa situação. Até porque, disse, Moçambique nunca deixou de manifestar o seu apoio, incluindo no seio da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).  

Estreitar a cooperação

Reconhecendo a importância da solidariedade, do apoio multiforme, e da irmandade que une as duas nações e seus povos, o embaixador de Cuba falou da necessidade do reforço da cooperação bilateral, numa perspectiva em que os dois países podem trabalhar conjuntamente para identificar novos eixos estratégicos desta parceria.  

“Para além dessa solidariedade política, acreditamos que devemos reforçar a cooperação bilateral em áreas como a saúde, ensino superior, cultura e o comércio”, disse o embaixador. Neste momento, Cuba mantém em Moçambique médicos, professores universitários, treinadores desportivos, desenvolvendo projectos de cooperação cultural.  

“O nosso objectivo é fortalecer ainda mais as áreas de educação, saúde, cultura, desporto e comércio, e elevar a cooperação económica ao mesmo nível da excelente relação política existente entre os dois países”, declarou o diplomata cubano.  

Ainda na esteira do que o povo daquele país está a viver como resultado desse bloqueio, Carlos Manuel Rojas-Lago aproveitou a ocasião para agradecer outros países da região que nunca ficaram em silêncio, estando a trabalhar para mudar o cenário, enquanto chamam atenção do mundo para essa injustiça que já se transforma em calamidade humanitária.  

Assim, para além de Moçambique, o embaixador de Cuba destacou a actuação, ao nível da África Austral, dos governos e povos da Namíbia, África do Sul e Zimbabwe, num contexto em que “quase todos os países africanos irmãos têm estado a dar o seu apoio constante e demonstrado solidariedade ao povo cubano”.  

Sobre o papel que cabe às Nações Unidas para pôr cobro à situação, o embaixador falou das diversas resoluções que têm sido aprovadas ao nível da Assembleia-Geral da ONU, apelando, repetidamente, ao fim do bloqueio contra Cuba. No entanto, estas resoluções da Assembleia-Geral não são vinculativas, por isso, não têm sido cumpridas pelos norte-americanos.  

“O que pedimos aos países amigos é que continuem a exercer pressão internacional para que este bloqueio, que afecta sobretudo o povo cubano, seja levantado. Quem mais sofre as consequências é a população. Os hospitais enfrentam dificuldades, há escassez de medicamentos, combustível, alimentos e outros bens essenciais.  

Por isso, agradecemos toda a solidariedade internacional e esperamos que continue”, lamentou o embaixador Carlos Manuel Rojas-Lago, um diplomata de carreira que é licenciado em Jornalismo pela Universidade de Havana e já esteve em missões em vários países do continente africano, entre os quais Nigéria, Etiópia e Uganda, incluindo no continente asiático.

Fonte: Jornal Noticias

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