Para consolidar avanço do Projecto Mozambique LNG: TotalEnergies procura reabrir canal de diálogo com a Presidência

by Sérgio Tinga

A petrolífera francesa TotalEnergies está a desenvolver uma nova estratégia de aproximação às autoridades moçambicanas, procurando reabrir as negociações com a Presidência da República através de um novo canal institucional, numa altura em que o Projecto Mozambique LNG continua a atravessar uma fase de implementação marcada por questões administrativas, financeiras e de coordenação entre as partes.

A informação foi avançada pela publicação especializada Africa Intelligence, segundo a qual a empresa decidiu alargar o círculo dos seus interlocutores em Maputo, depois de as conversações conduzidas nos últimos meses através de alguns conselheiros presenciais não terem produzido os resultados pretendidos.

A publicação refere que a companhia francesa pretende agora privilegiar contactos a um nível mais técnico, procurando restabelecer um ambiente de cooperação com o Estado moçambicano.

O desenvolvimento representa mais um capítulo nas relações entre a TotalEnergies e o Governo moçambicano, que se intensificaram após a decisão de retomar o maior projecto privado de investimento alguma vez realizado no país.

O Projecto Mozambique LNG, localizado na península de Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado, é desenvolvido pelo consórcio liderado pela TotalEnergies e prevê a exploração das reservas de gás natural da Área 1 da Bacia do Rovuma. Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares norte-americanos, o empreendimento deverá produzir aproximadamente 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano quando entrar em operação comercial.

As actividades foram interrompidas em Abril de 2021, quando a TotalEnergies declarou Força Maior na sequência do agravamento da situação de segurança em Cabo Delgado, particularmente após os ataques armados registrados na Vila de Palma.

A suspensão obrigou à retirada dos trabalhadores, interrompeu os contratos de construção e levou ao congelamento de um dos maiores investimentos energéticos em África.

Nos anos seguintes, o Governo moçambicano intensificou as operações militares com o apoio das Forças de Defesa do Ruanda e da Missão da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SAMIM), criando condições para a recuperação gradual da segurança na região.

Em 7 de Novembro de 2025, o consórcio Mozambique LNG decidiu levantar a declaração de Força Maior, abrindo caminho para o reinício das actividades de construção.

A 29 de Janeiro de 2026, o Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente Executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, anunciaram oficialmente, em Afungi, a retoma integral das actividades do projecto.

Na ocasião foram reiniciadas as operações em terra e no mar, marcando o regresso das grandes empreitadas de engenharia e construção que estavam suspensas desde 2021.

Na mesma cerimónia foi igualmente confirmado que o Governo moçambicano manteria as medidas de segurança implementadas na região e continuaria a cooperar com as forças ruandesas destacadas em Cabo Delgado.

Divergências surgem após o reinício

Apesar da retoma das actividades, vários processos administrativos e financeiros permaneceram em negociação entre a empresa e o Estado.

Entre as matérias pendentes encontram-se a validação dos custos adicionais acumulados durante o período de paralisação, a actualização de contratos celebrados antes da suspensão das obras, bem como questões relacionadas com auditorias e mecanismos de implementação do projecto.

Segundo diversas publicações da Africa Intelligence ao longo de 2026, estas negociações acabaram por provocar um abrandamento das relações institucionais entre a petrolífera francesa e alguns sectores da Presidência da República, levando a empresa a procurar sucessivos mecanismos de aproximação.

Em Junho deste ano, a mesma publicação revelou que a TotalEnergies procurava ultrapassar as divergências através de contactos com elementos do círculo presidencial, iniciativa que antecedeu a actual tentativa de estabelecer um novo canal de diálogo.

Nova estratégia de aproximação

Na sua edição de 28 de Julho, a Africa Intelligence informa que a empresa voltou a reorganizar a sua estratégia institucional em Moçambique.

De acordo com a publicação, a TotalEnergies decidiu ampliar o número de interlocutores junto das instituições do Estado, procurando interlocutores alternativos capazes de facilitar a retoma das negociações com a Presidência.

A publicação indica igualmente que a empresa pretende privilegiar contactos de natureza técnica e administrativa, numa tentativa de ultrapassar o bloqueio que vinha condicionando as conversações realizadas nos últimos meses.

A informação surge cerca de um mês depois de outra publicação da mesma revista especializada ter referido que a companhia procurava reduzir as tensões existentes com a Administração Chapo, igualmente através de contactos institucionais em Maputo.

Entretanto, os trabalhos de construção do Mozambique LNG continuam em Afungi.

Segundo a TotalEnergies, as actividades decorrem tanto nas infra-estruturas terrestres como nas operações marítimas, envolvendo milhares de trabalhadores e centenas de empresas contratadas.

O projecto mantém como objectivo iniciar a produção comercial de gás natural liquefeito em 2029, tornando Moçambique num dos maiores exportadores mundiais de LNG.

Além da TotalEnergies, participam no consórcio a Mitsui, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a ONGC Videsh, a Bharat Petroleum, a Oil India e a PTTEP, da Tailândia.

A evolução das negociações entre a empresa e o Estado moçambicano continua a ser acompanhada de perto pelos mercados financeiros, instituições de crédito e restantes parceiros do projecto, tendo em conta a dimensão do investimento e o seu impacto esperado na economia nacional.

Fonte: Zambeze

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