A manutenção do multilateralismo entre os membros do Movimento dos Não-Alinhados (MNA) foi tónica dominante das intervenções de chefes de Estado e/ou seus representantes na Reunião de Alto Nível alusiva aos 65 anos da criação deste fórum, que actualmente congrega 140 países do mundo.
Discursando numa assembleia que juntou os países-membros, com destaque para os fundadores deste movimento e a actual Troika, a Primeira-Ministra, Benvinda Levi, que representou no evento o Presidente da República, vincou que os ideais que nortearam a criação do movimento mantêm-se tão relevantes quanto actuais, mesmo perante as transformações que ocorreram nas seis décadas e meia da existência do MNA.
Na ocasião, reafirmou o posicionamento de Moçambique, nomeadamente a determinação de continuar a trabalhar pela paz, solidariedade entre os povos, desenvolvimento sustentável, fortalecimento do multilateralismo e pleno respeito dos princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional.
Chamou à atenção para o facto de o planeta estar a atravessar momentos desafiantes, como as crescentes tensões geopolíticas, conflitos armados, alterações climáticas, insegurança alimentar, crises energéticas, desigualdades persistentes, elevados níveis de endividamento e desafios ao sistema multilateral.
Para a primeira-ministra, revisitar Belgrado hoje é mais do que uma simples exaltação à história; é ocasião para homenagear os precursores do movimento e renovar o compromisso com os ideais que inspiraram a sua criação, que se mantêm inabaláveis, apesar das profundas transformações geopolíticas registadas ao longo do tempo.
“O aniversário que hoje celebramos convida-nos a reflectir e a agir. Cabe-nos promover permanentemente o diálogo, cooperação internacional e respeito pela Carta da ONU e pelo Direito Internacional, pilares indispensáveis para responder aos desafios complexos que o mundo atravessa”, disse.
Segundo Levi, só através da cooperação solidária, do respeito pelo Direito Internacional e resolução pacífica dos conflitos se pode construir um futuro de prosperidade partilhada para todos os povos.
No discurso de abertura, o Presidente sérvio, Aleksandar Vučić, falou também das transformações que o mundo sofreu nos últimos 65 anos, mas que não alteraram a importância da soberania, do Direito Internacional e igualdade entre as nações.
Recuou no tempo para referir-se à génese do movimento, cujo berço foi a cidade de Belgrado, facto que descreveu como exaltação à história.
Nortearam a criação do MNA a manutenção da neutralidade e garantia da independência dos países em desenvolvimento, evitando o alinhamento com os blocos capitalistas liderados pelos Estados Unidos, e socialista, pela então União Soviética.
Fonte: Jornal Notícias