Salários dos administradores do BM triplicaram no mandato deZandamela Os “golden boys” na terra de fome

Fonte: Canal de Moçambique

Os custos com os órgãos de gestão do Banco de Moçambique fixaram-se, em 2025, em cerca de 340.5 milhões de meticais. É um aumento 12,3 milhões em relação à massa salarial destinada aos administradores do Banco em 2024. Estes valores reportam a base consolidada, incluindo nas sociedades detidas ou participadas. Só do Banco de Moçambique os seis gestores ganharam 300 milhões de meticais. Nas entidades participadas ganharam mais 40.5 milhões. O Banco de Moçambique detém participações em quatro entidades, designadamente, na Kuhanha (Gestora do Fundo de Pensões do próprio BM, onde detém 100%), na Sociedade Interancária de Moçambique (SIMO, onde detém 51%), na Afreximbank (African Export & Import Bank, onde detém acções de classe A) e na Swift (empresa belga gestora de transferências e pagamentos internacionais). Nessas quatro entidades os gestores do Banco de Moçambique ganharam 40.5 milhões de meticais em 2026, perfazendo remuneração consolidada de 340,5 milhões de meticais.

Mas é interessante notar a evolução da massa salarial dos administradores do Banco de Moçambique desde a chegada de Rogério Zandamela, em Setembro de 2016. Segundo o “Relatório & Contas” referente a 2015, publicado esta semana, os órgãos de gestão do Banco de Moçambique ganharam, nessa altura, 99 milhões de meticais. No primeiro ano de Zandamela (2016), essa massa salarial passou para 210 milhões de meticais.

Em 2025, último ano de mandato de Rogério Zandamela à frente do Banco de Moçambique, os salários dos gestores do topo fixaram-se em 340.5 milhões de meticais. Isso quer dizer que os administradores passaram a ganhar o triplo do que ganhavam. Um aumento de 343%. Isso quer dizer que, por ano, os salários dos administradores cresceram 34%. E isso contrasta com o crescimento dos salários da esmagadora maioria dos trabalhadores que cresceram a um ritmo de 7%, segundo o “Relatório & Contas” da instituição.

O Banco de Moçambique tinha, em 31 de Dezembro de 2025, 995 trabalhadores. A massa salarial dos empregados do BM saiu de 8,2 mil milhões de meticais, em 2024, para 9 mil milhões. O Canal de Moçambique procurou saber quem são os “golden boys” que fazem parte do clube “pessoal-chave de gestão e fiscalização” do Banco de Moçambique. É uma entidade que decorre do próprio estatuto orgânico do Banco de Moçambique (Lei 1/92), actualmente composto por apenas seis funcionários. A Lei manda que sejam doze funcionários, ou seja, os 340 milhões são gastos por metade do que a Lei preconiza.

Segundo o n.º 1 do Artigo 44 do Estatuto Orgânico do Banco de Moçambique, são órgãos de administração e fiscalização do Banco de Moçambique o Conselho de Administração e o Conselho de Auditoria. O número n.º 1 do Artigo 45 da mesma Lei estabelece que o Conselho de Administração do Banco de Moçambique é composto por um governador, que preside às suas sessões, por um vice-governador e por quatro a seis administradores. O governador do Banco Moçambique pode determinar a participação no Conselho de Administração de outros elementos cuja presença considere conveniente. Os membros do Conselho de Administração exercem as suas funções por períodos renováveis de cinco anos.

Segundo o Artigo 52 da mesma Lei, o Conselho de Auditoria, que se junta ao Conselho da Administração para perfazer o “pessoal-chave de gestão e fiscalização”, exerce a fiscalização das actividades do Banco, e os seus membros podem, em conjunto ou separadamente, efectuar tais inspecções sempre que julguem necessário. O Conselho de Auditoria é composto por quatro membros. Destes, três são nomeados pelo ministro das Finanças, e um é eleito pelos trabalhadores do Banco, por um período de três anos renováveis. De entre os membros nomeados pelo ministro das Finanças, será designado o presidente do Conselho de Auditoria. Os membros do Conselho de Auditoria devem ser escolhidos de entre personalidades de reconhecida competência em matéria monetária, financeira, económica ou jurídica.

Segundo o Artigo 53 do Estatuto Orgânico do Banco de Moçambique, compete especialmente ao Conselho de Auditoria: acompanhar o funcionamento do Banco e o cumprimento das leis e regulamentos que lhe são aplicáveis; verificar, sempre que julgue conveniente, o estado da Tesouraria e a situação financeira e económica do Banco; assegurar-se de que as diligências respeitantes à cobrança coerciva de dívidas ao Banco se realizam em conformidade com o previsto no presente diploma; assistir por delegação, um dos seus membros, quando o considerar necessário ou seja convocado às reuniões do Conselho de Administração, podendo participar nos debates, quando convocado, e sempre sem direito de voto; dar parecer sobre as propostas de orçamento, as contas de gerência e os relatórios referentes a cada ano; verificar a execução das deliberações do Conselho de Administração do Banco; dar parecer sobre os assuntos que lhe forem submetidos pelo Conselho de Administração do Banco ou pelo Governo; pedir a atenção do Conselho de Administração do Banco para as questões que entenda merecerem ponderação.

Dos doze previstos só existem seis

Mas, segundo apurou o Canal de Moçambique, actualmente os órgãos de gestão do Banco de Moçambique são compostos por seis administradores. São eles: Zandamela (governador), Gertrudes Adolfo Tovela (administradora do pelouro de Serviços Financeiros e Recursos Humanos), Jamal Omar (administrador do pelouro de Operações Bancárias, Emissão e Fiscalização de Sistemas de Pagamento), Silvina de Abreu (administradora do pelouro de Serviços Administrativos e Património), Benedita Guimino (administradora do pelouro de Estabilidade Financeira), Maria Esperança Majimeja (administradora do pelouro de Estabilidade Monetária).

Actualmente, o Conselho de Auditoria do Banco de Moçambique é constituído apenas por dois administradores segundo o “website” do próprio Banco de Moçambique. São eles: Gertrudes Adolfo Tovela (administradora do pelouro de Serviços Financeiros e Recursos Humanos), Jamal Omar (administrador do pelouro de Operações Bancárias, Emissão e Fiscalização de Sistemas de Pagamento).

Ou seja, o pessoal-chave de gestão segundo tipificado pelo próprio Banco de Moçambique é constituído por verdades seis individualidades, que perfazem o Conselho da Administração e o Conselho de Auditoria, designadamente, Zandamela (governador), Gertrudes Adolfo Tovela (administradora do pelouro de Serviços Financeiros e Recursos Humanos) Jamal Omar (administrador do pelouro de Operações Bancárias, Emissão e Fiscalização de Sistemas de Pagamento), Silvina Abreu (administradora do Pelouro de Serviços Administrativos e Património), Benedita Guimino (administradora do pelouro de Estabilidade Financeira), Maria esperança Majimeja (administradora do pelouro de Estabilidade Monetária).

Se o pessoal chave de gestão são os membros do Conselho da Administração do Banco e o Conselho de Auditoria, então apenas seis elementos é que receberam, em 2025, a massa salarial consolidada de 340.5 milhões de meticais. Feitas as contas, isso equivale a dizer que cada administrador encaixou, apenas em 2025, cerca 56.7 milhões de meticais. A remuneração mensal de cada um desses seis administradores é de 4,7 milhões de meticais (MZN 4 730 222). Na verdade 4,7 milhões de meticais, são 74 mil dólares. É um salário que outros bancos pagam à vontade, mas numa economia onde ninguém bebe água nos rios com animais ou ninguém é transportado em “mylove” por falta de transportes. Em Moçambique, os hospitais estão a usar cartolinas de electrodomésticos para fazer gesso por falta de material apropriado. E esses salários soam como um insulto à esmagadora maioria da população. 

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