O Presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, exigiu, esta segunda-feira, em Maputo, que o Governo informe regularmente os moçambicanos sobre a situação militar em Cabo Delgado. Nesta comunicação regular, um dos pontos que se mostra urgente e que não deve faltar tem a ver com a origem dos fundos que estão a suportar e a garantir a permanência das Forças de Defesa do Ruanda (RDF) e a continuidade das suas operações em apoio ao restabelecimento e manutenção da segurança na província de Cabo Delgado.
O apelo do MDM vem a propósito da informação partilhada a partir do Ruanda, em que o executivo de Kigali informou que tinha recebido garantias de Maputo de que o executivo moçambicano iria arcar com os custos para a continuidade das operações, numa altura em que a União Europeia já reiterou o fim do financiamento que assegurava a presença das RDF no território de Cabo Delgado. Na visão da União Europeia, o apoio deve ser destinado a Moçambique, exactamente para garantir o que se considera “reforço” das capacidades das Forças de Defesa e Segurança da República de Moçambique.
Antes de discutir questões muito profundas sobre a sustentabilidade e aceitabilidade da estratégia adoptada pelo governo de Moçambique no que ao financiamento ao Ruanda diz respeito, o MDM entende ser fundamental o esclarecimento e clarificação das fontes do financiamento, tendo em conta a informação governamental sobre fortes limitações financeiras, incluindo a falta de verbas para garantir um serviço público que apresente padrões mínimos de aceitabilidade.
“Não podemos estar sempre a ouvir do Ruanda sobre a situação militar de Cabo Delgado. O Governo de Moçambique deve informar, de forma periódica, os moçambicanos sobre o estágio real da situação militar”, declarou o presidente do MDM, falando em conferência de imprensa, na cidade de Maputo. Até porque, no entender de Lutero Simango, a actual realidade compromete a soberania nacional.
“Da sede do Governo à Assembleia da República são menos de cinco quilómetros. O Governo deve ir explicar aos moçambicanos a proveniência desses fundos”, afirmou Lutero Simango, que, sem colocar de lado a necessidade de apoio internacional, reiterou que o melhor caminho passa por recuperar a prontidão das forças moçambicanas, através da sua modernização e profissionalização.
O questionamento do quarto partido no xadrez político moçambicano tem lugar numa altura em que parece cada vez mais clara e aceitável a tese de que os desafios da segurança no norte do país ainda são enormes, exigindo, por isso, união de esforços para se conseguir alcançar resultados que sejam satisfatórios.
MDM vê “mandantes” no caso “Dom Osório”
Na mesma ocasião, o partido do galo condenou o assassinato do bispo de Quelimane, Dom Osório Afonso, ocorrido no último sábado, classificando o caso como uma manifestação da insegurança que afecta os moçambicanos.
O MDM manifestou solidariedade à Igreja Católica e apelou às autoridades da justiça para que conduzam uma investigação “isenta e profissional”, capaz de identificar tanto os autores materiais como os alegados mandantes do crime. “Esta acção criminosa é totalmente condenada pelo MDM. Acreditamos que esta acção macabra tem os seus mandantes e cabe à justiça investigar e responsabilizar todos os envolvidos”, declarou Simango.
O partido abordou, igualmente, a situação dos moçambicanos na África do Sul, que são vítimas da xenofobia, onde episódios de violência contra estrangeiros têm provocado mortes e tensão social. Para o MDM, a solução passa pela criação de mais empregos no país, através da promoção do investimento privado, da industrialização da agricultura e da melhoria das infraestruturas nacionais, com destaque para a reabilitação da Estrada Nacional Número Um (EN1).
Segundo Simango, a falta de oportunidades económicas continua a empurrar milhares de jovens moçambicanos para a emigração, tornando-os vulneráveis a situações de discriminação e violência nos países de acolhimento.
Fonte: MediaFax