Venâncio falta ao Conselho de Estado para levar denúncias sobre perseguição política à comunidade internacional

by Sérgio Tinga

O membro do Conselho de Estado, Venâncio António Bila Mondlane, comunicou oficialmente ao Presidente da República a sua ausência da reunião daquele órgão marcada para o próximo dia 10 de Junho, justificando que se encontra no estrangeiro a desenvolver uma intensa agenda política internacional centrada na denúncia da situação dos direitos humanos em Moçambique.

Numa carta remetida à Presidência da República e recebida esta segunda-feira, Mondlane afirma que está a manter contactos com diversos actores da comunidade internacional para expor aquilo que considera ser uma escalada de perseguição política contra membros do ANAMOLA e contra sectores da oposição.

A missiva constitui uma das mais duras acusações feitas pelo político nos últimos meses. No documento, Mondlane fala de “assassinatos, raptos, sequestros, prisões arbitrárias” e de uma “atroz perseguição” contra membros do seu partido, alegando que estes factos ocorrem há mais de um ano sem que as autoridades nacionais tenham tomado medidas para os travar.

“Encontro-me fora do país, cumprindo uma agenda política internacional previamente assumida”, escreve Mondlane, acrescentando que a sua missão visa sensibilizar a comunidade internacional para o que descreve como “atrocidades profundamente desumanas e anti-democráticas”.

Ausência estratégica e foco na agenda do partido

A ausência ganha particular significado por ocorrer numa reunião do Conselho de Estado, órgão consultivo do Presidente da República reservado para a discussão de matérias de elevado interesse nacional. Em vez de ocupar o seu lugar à mesa do Conselho, Mondlane optou por manter a sua ofensiva diplomática internacional, transformando a ausência numa nova plataforma de contestação política.

Segundo o dirigente do ANAMOLA, partido que se encontra a preparar a sua Convenção Nacional (Congresso), os compromissos assumidos no exterior prolongar-se-ão para além da data da reunião, impossibilitando o seu regresso a tempo de participar nos trabalhos.

Apesar do tom crítico, entendido como uma espécie de protesto, Mondlane termina a comunicação manifestando respeito pelo Conselho de Estado e reconhecendo a importância da instituição para o fortalecimento das instituições da República.

Fonte: Evidências

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