Governo defendeu esta segunda-feira, 8 de Junho, em Genebra, na Suíça, que a inovação tecnológica deve ser utilizada como instrumento para criar mais oportunidades de emprego para os jovens, sem comprometer os direitos dos trabalhadores, a justiça social e a dignidade laboral, escreveu a Lusa.
A posição foi apresentada pela ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, durante a 114.ª Conferência Internacional do Trabalho, que decorre até 12 de Junho.
A governante lidera a delegação moçambicana no encontro, que reúne representantes de Governos, empregadores e trabalhadores dos 187 Estados-membros da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Segundo um comunicado do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Moçambique considera que os avanços tecnológicos, incluindo a Inteligência Artificial (IA) e as plataformas digitais, devem contribuir para a geração de empregos, sobretudo para a juventude, sem colocar em causa a protecção laboral.
“Num contexto marcado pela rápida expansão da tecnologia, da IA e das plataformas digitais, Moçambique defende que a inovação deve criar oportunidades de emprego, sobretudo para os jovens, mas sempre com protecção laboral, justiça social e dignidade dos trabalhadores”, refere o documento.
A conferência está a analisar alguns dos principais desafios que actualmente afectam o mundo do trabalho. Entre os temas em debate destacam-se o trabalho decente na economia das plataformas digitais, a promoção da igualdade de género no emprego, o fortalecimento do diálogo social e a cooperação entre Governos, empregadores e sindicatos.
Durante o encontro, a OIT deverá apresentar o relatório intitulado “Um Momento de Escolha: Aproveitando a Inteligência Artificial para o Trabalho Decente”.
O documento defende que a transformação tecnológica deve ser orientada para a criação de empregos decentes, inclusivos e sustentáveis, permitindo que os benefícios da inovação sejam partilhados de forma mais ampla. A participação de Moçambique na conferência ocorre numa fase em que o País procura reduzir os níveis de desemprego e ampliar as oportunidades de trabalho, contando para isso com o contributo do sector privado e com políticas voltadas para a dinamização da economia.
De acordo com um relatório governamental publicado em Setembro do ano passado, o Executivo pretende reduzir a taxa de desemprego de 18,4% para 17% até 2029. Apesar dessa meta, o documento reconhece a existência de desafios estruturais significativos que continuam a limitar a absorção de mão-de-obra pelo mercado. Entre os principais obstáculos identificados está o elevado desemprego juvenil.
O relatório, que define as perspectivas para o período de 2025 a 2029, indica que a taxa de desemprego entre os jovens é actualmente de 33,4%, tornando este um dos maiores desafios para as políticas de emprego e inclusão económica do País.
Fonte: Diário Económico