Aumentam tensões entre CEO da TotalEnergies e o Presidente Chapo sobre o futuro do Projecto Mozambique LNG

by Telma Mandlate

As divergências em torno da retoma do Projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, na província de Cabo Delgado, ganharam novos contornos nas últimas semanas, evidenciando um crescente clima de tensão entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o director-executivo da multinacional francesa, Patrick Pouyanné.

No centro da controvérsia está o ritmo e as condições para a reactivação do empreendimento, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares norte-americanos e considerado um dos maiores investimentos privados alguma vez realizados em África.

Enquanto o Governo moçambicano tem defendido que as condições de segurança em Cabo Delgado registaram melhorias significativas nos últimos anos, permitindo o regresso gradual das actividades económicas e das populações deslocadas, a liderança da TotalEnergies continua a manifestar reservas quanto à estabilidade da região e às garantias necessárias para o reinício pleno das operações.


Durante várias intervenções públicas, o Presidente Daniel Chapo reiterou que o Executivo está empenhado em criar um ambiente favorável ao investimento e em assegurar a estabilidade necessária para os grandes projectos energéticos.

O Chefe de Estado tem igualmente sublinhado que o desenvolvimento dos recursos naturais deve traduzir-se em benefícios concretos para os moçambicanos, incluindo emprego, receitas fiscais e desenvolvimento local.

Por seu turno, Patrick Pouyanné tem insistido na necessidade de avaliações rigorosas da situação de segurança antes de qualquer decisão definitiva sobre o levantamento da situação de Força Maior declarada pela empresa em 2021, na sequência dos ataques armados registados na região de Palma.

Fontes ligadas ao sector energético indicam que as diferenças entre as duas partes não se limitam às questões de segurança. Existem igualmente preocupações relacionadas com os custos adicionais decorrentes dos atrasos, os mecanismos de financiamento internacional e as expectativas do Governo relativamente à participação de empresas nacionais e à geração de benefícios económicos para o país.

A actual fase das negociações é determinante para o futuro do projecto, uma vez que os mercados internacionais acompanham atentamente os desenvolvimentos em Moçambique, país que possui algumas das maiores reservas de gás natural descobertas nas últimas décadas.


Apesar das divergências, observadores acreditam que tanto o Governo moçambicano como a TotalEnergies mantêm interesse na concretização do empreendimento.

Para o Estado moçambicano, a retoma do projecto representa uma oportunidade estratégica para aumentar as exportações, captar investimento estrangeiro e reforçar as receitas públicas.
Para a multinacional francesa, Mozambique LNG continua a ser um activo de elevada relevância no seu portfólio global de gás natural liquefeito.


Entretanto, os próximos meses poderão revelar-se decisivos para definir se as partes conseguem alcançar um entendimento que permita o relançamento das operações ou se persistirão os obstáculos que têm adiado um dos mais ambiciosos projectos energéticos do continente africano.

Fonte: Jornal Zambeze

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