As poupanças dos moçambicanos constituídas através de depósitos a prazo recuaram 0,5% em Maio de 2026, para 4 mil milhões de euros, mantendo-se próximas dos máximos históricos, segundo dados do Banco de Moçambique (BdM). De acordo com o mais recente relatório estatístico do banco central citado pela Lusa, o valor compara com os 4,1 mil milhões de euros registados em Abril e com os 4,09 mil milhões de euros contabilizados no mesmo mês de 2025. Os depósitos a prazo atingiram, em Janeiro deste ano, 4,12 mil milhões de euros, o valor mais elevado da série recente, depois de terem crescido face a Dezembro. Seguiram-se reduções em Fevereiro e Março, uma recuperação em Abril e um novo recuo em Maio. O máximo histórico continua a ser o registado em Julho de 2025, quando os depósitos a prazo ascenderam a 4,14 mil milhões de euros. Os depósitos à ordem também interromperam, em Maio, uma sequência de vários meses de crescimento, recuando para 6,7 mil milhões de euros, depois dos 6,9 mil milhões de euros registados em Abril.
Apesar da redução mensal, os depósitos à ordem mantiveram-se acima dos 6 mil milhões de euros contabilizados em Maio de 2025. No conjunto, o total dos depósitos mantidos no sistema bancário situou-se em 10,8 mil milhões de euros em Maio de 2026. Em Moçambique funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito, organizações de poupança e crédito e outras instituições financeiras. A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique, conhecida como prime rate, manteve-se em 15,50% em Junho, pelo terceiro mês consecutivo, depois de três reduções efectuadas desde o início do ano, segundo a Associação Moçambicana de Bancos (AMB). Desde Janeiro de 2024, a taxa tem vindo progressivamente a diminuir, depois de ter permanecido durante seis meses consecutivos no máximo de 24,1%.
Em Janeiro deste ano, a AMB reduziu a taxa em 10 pontos base, para 15,70%, mantendoa inalterada em Fevereiro, apesar da redução da taxa directora decidida pelo Banco de Moçambique. Seguiram-se reduções igualmente de 10 pontos base em Março e Abril, antes da estabilização da taxa em Maio e Junho. As oscilações da prime rate estão associadas à taxa de política monetária, conhecida como taxa MIMO, que integra a fórmula de cálculo da taxa de referência para o crédito e é utilizada pelo banco central no controlo da inflação. Os dados do Banco de Moçambique indicam igualmente que a taxa média de remuneração dos depósitos com prazo de um ano desceu para 4,34% em Maio, contra 4,65% em Abril e 6,60% no mesmo mês de 2025.
O Banco de Moçambique decidiu, em 25 de Maio, manter a taxa MIMO em 9,25%, aumentar o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitir a possibilidade de a inflação atingir dois dígitos devido à crise dos combustíveis. “Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, explicou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.
A decisão foi tomada no final da reunião do Comité de Política Monetária, realizada em Maputo, que manteve a taxa inalterada, tal como já tinha acontecido em Março, depois de 12 reduções consecutivas desde Janeiro de 2024. Zandamela admitiu que a continuidade da pausa no processo de redução da taxa MIMO dependerá da evolução do contexto económico nacional e internacional. A próxima reunião do Comité de Política Monetária está prevista para quarta-feira, 29 de Julho de 2026.
Fonte: Diário Económico