O Conselho Municipal de Maputo adoptou novos horários de funcionamento no Mercado Central, no âmbito do processo de reorganização da venda de mariscos e peixe na cidade, passando o espaço a concentrar a actividade formal e a acolher feiras nocturnas com horário alargado a partir das 18.00 até 22.00 horas.
A informação foi avançada ontem ao “Notícias” pelo vereador de Actividades Económicas e Turismo, Alexandre Muianga, que explicou que a medida surge na sequência da interdição da venda informal de mariscos na Praça 25 de Junho e nas imediações da Fortaleza de Maputo, sendo a actividade canalizada para o Mercado Central, que dispõe de mais de 300 bancas e condições sanitárias adequadas.
“No processo em andamento, o Conselho Municipal de Maputo tem vindo a rever as listas apresentadas pelas associações de vendedores, inicialmente superiores a 400 nomes, enquanto a presença efectiva no espaço varia entre 20 e 100 operadores por período, estando em curso a actualização dos registos para identificação dos operadores em actividade e regularização da ocupação do mercado”, explanou.
O responsável referiu que o objectivo passa por organizar o sector e garantir o abastecimento regular da cidade, com enfoque para restaurantes, hotéis e operadores comerciais.
Segundo Alexandre Muianga, o novo modelo estabelece regras específicas de funcionamento, incluindo restrições na venda de peixe a particulares em determinados períodos e a limitação da comercialização de bebidas alcoólicas e gelo fora das normas estabelecidas, sobretudo após as 17.00h. [Continue Lendo]
Combate à malária: Resultados promissores nos ensaios para quimioprofilaxia
A Quimioprofilaxia pode ser a próxima aposta do sector de Saúde no tratamento da malária, um injectável de acção prolongada que se pretende introduzir, numa primeira fase, em distritos endémicos desta doença, a fim de erradicá-la.
O fármaco será disponibilizado numa altura em que o país continua entre os mais afectados pela malária, contribuindo significativamente para o aumento do número global de casos e óbitos, com milhões registados anualmente e, particularmente, um impacto considerável sobre o Sistema Nacional de Saúde. Actualmente, a profilaxia da malária baseia-se, maioritariamente, na administração regular de comprimidos. No entanto, a adesão a este regime tem sido limitada, com menos de 60 por cento dos utilizadores a completar o tratamento, muitas vezes devido ao desconforto e aos efeitos secundários.
Neste contexto, as injecções de acção prolongada apresentam-se como uma alternativa promissora, podendo oferecer protecção por até 90 dias com uma única administração. De acordo com o relatório Mundial da Malária 2025, da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que tenham ocorrido cerca de 282 milhões de casos e 610 mil mortes em 2024, reflectindo um aumento em relação ao ano anterior.
A região africana continua a suportar o maior peso da doença, concentrando cerca de 94 por cento dos casos e 95 por cento das mortes, afectando sobretudo crianças menores de cinco anos.
A título ilustrativo, uma pesquisa publicada, há meses, neste matutino, coordenada por Estêvão Mucavele e Hermínio Cossa, investigadores do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), indica que um será conduzido nos distritos de Manhiça e Matutuíne, na província de Maputo, envolvendo entre 70 e 94 participantes, incluindo decisores políticos, gestores de programas de saúde, profissionais da linha da frente e membros da comunidade.
O trabalho de campo e análise de dados terá a duração de cinco meses. Além de explorar a aceitação comunitária, o estudo irá também avaliar requisitos fundamentais do sistema de saúde, tais como a formação de profissionais, cadeia de abastecimento, fármaco vigilância e processos regulatórios, elementos considerados cruciais para uma eventual introdução desta tecnologia no país.
Para o esclarecimento dos processos de investigação, o “Notícias” conversou com alguns pesquisadores do CISM, entidade dedicada a estudos na área de malária.
Fonte: Jornalnotícias