Economia nacional caiu 7% no primeiro trimestre deste ano

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique indica que, durante o primeiro trimestre do ano, o Índice do Ambiente Macroeconómico caiu de 62 para 55 por cento, enquanto o Índice de Robustez Empresarial recuou de 28 para 26 por cento. A escassez de divisas, as cheias e os constrangimentos logísticos continuam a afectar as actividades das empresas.

Os dados apresentados nesta quinta-feira, durante o Economic Briefing promovido pela CTA, referem que a desaceleração da economia, em oito pontos percentuais, foi  influenciada por questões como o clima e a guerra no Médio Oriente. “Entre os principais desafios destacam-se os impactos das calamidades naturais que afectaram várias regiões do País, as limitações persistentes no acesso a divisas, as pressões sobre o abastecimento de combustíveis e um ambiente internacional marcado por crescentes incertezas geopolíticas e económicas”, disse o presidente da CTA, Álvaro Massingue. Uma das consequências directas deste cenário é a redução da capacidade de resistência das empresas, face aos abalos.

No mesmo período, indica o sector privado, o Índice de Robustez Empresarial sofreu uma queda de dois pontos percentuais, isto é de 28% para 26%, “sinalizando uma deterioração da resiliência empresarial face aos múltiplos choques económicos e operacionais observados ao longo do período”. “Esta evolução é explicada, em grande medida, pelos danos provocados pelas cheias em infra-estruturas produtivas, equipamentos e stocks empresariais, particularmente nas províncias de Gaza e Maputo, bem como pelas interrupções verificadas nas cadeias de abastecimento, que limitaram a circulação de pessoas e mercadorias, afectando simultaneamente o acesso aos insumos e a comercialização dos produtos finais.”

Estes indicadores mostram que, apesar dos progressos alcançados em algumas variáveis macroeconómicas, muitas empresas continuam a operar sob forte pressão, exigindo respostas coordenadas que reforcem a capacidade produtiva e a competitividade da economia nacional.

Apesar destes números, o sector privado empresarial considera alguns sinais positivos para a recuperação económica: os níveis de inflação e a taxa de câmbio. Massingue revelou que a inflação se manteve em níveis moderados, situando-se em torno de 4,1%, “preservando um ambiente de relativa estabilidade de preços”. A taxa de câmbio, por seu turno, “continuou a apresentar um comportamento relativamente estável”, contribuindo para uma maior previsibilidade das operações empresariais.

“Por outro lado, a política monetária prosseguiu numa trajectória de flexibilização gradual, traduzida na redução progressiva das taxas de juro, factor que poderá contribuir para estimular o investimento privado e aliviar os custos de financiamento das empresas.”

Diante dos números e das promessas governamentais, a CTA fez uma lista, dirigida ao Executivo, como acções essenciais para melhoria do ambiente de negócios: “(…) destacam-se a melhoria do acesso ao financiamento, a regularização dos pagamentos em atraso do Estado ao sector privado, o reforço da disponibilidade de divisas, a modernização das infra-estruturas económicas e a aceleração das reformas orientadas para a competitividade”. Diante do cenário, o Governo, que esteve representado pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, avalia o cenário positivamente, baseado nos dados de produção industrial.

“Na indústria, a nossa produção manteve-se estável, atingindo cerca de 34 825 milhões de meticais, acompanhada pela continuidade da actividade produtiva”, revelou o governante, que, sem apresentar números, se referiu ao registo de “crescimento de emprego em diversos sectores”.

No mesmo período, especificamente no comércio externo, o país registou um saldo no primeiro trimestre positivo de “114 milhões de dólares”, impulsionado pelo aumento das exportações e pela redução das importações. “Este resultado demonstra que Moçambique está a reforçar a sua capacidade produtiva, a gerar mais divisas e a consolidar a sua presença nos mercados regionais e internacionais.

Na promoção de investimento, foram aprovados cerca de 66 projectos avaliados em mais de  568 milhões de dólares norte-americanos, com potencial para gerar mais de 13 mil postos de trabalho.” Muhate acrescenta que os números acima referidos representam as fábricas, empregos, oportunidades para a nossa juventude e maior dinamização das economias a nível local.

“No sector do turismo, entraram em funcionamento no primeiro trimestre, 44 novos empreendimentos turísticos responsáveis pela criação de cerca de 398 postos de trabalho. Este desempenho confirma a crescente confiança dos investidores no potencial turístico que o nosso país oferece e reforça o papel deste sector como um dos principais motores de diversificação da nossa economia, geração de rendimento e desenvolvimento local”. Em relação aos desafios apresentados pelo sector privado, o ministro da economia apresenta uma fórmula, que envolve sinergias.

“Os dados mais recentes apontam para um contexto marcado por factores internos e externos que exigem a vigilância permanente e uma actuação coordenada entre o Governo, o Banco Central e o sector privado. Em primeiro lugar, observa-se uma revisão em alta das perspectivas de inflação, influenciada, sobretudo, pelo ajustamento dos preços domésticos, dos combustíveis líquidos, pelas interrupções no fornecimento de combustíveis e pelas pressões inflacionárias em funcionários importados associados ao contexto internacional”. A dívida interna é outro fenómeno reconhecido pelo Governo como um desafio para as empresas nacionais.

“É por isso que o Governo está a trabalhar no sentido de planificar e organizar melhor o processo de gestão da dívida pública, principalmente a dívida com os fornecedores, que já têm passos avançados em relação a uma planificação clara que prioriza as pequenas e grandes empresas ou aquelas empresas que realmente precisam de suporte para continuar a realizar as suas actividades.”

Face à resolução do conflito no Médio Oriente, que já demanda a redução da crise financeira global, o Governo apela às entidades para estarem atentas para tirarem maior proveito deste contexto, para a estabilização financeira.

Fonte: O País

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