Apenas sete em cada 100 dos alunos têm competências de leitura e escrita no ensino básico

A ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, revelou um cenário profundamente preocupante sobre a eficácia do Sistema Nacional de Educação, ao anunciar que apenas sete em cada 100 alunos do ensino básico em Moçambique possuem competências consolidadas de leitura, escrita e cálculo matemático elementar.

O diagnóstico, baseado num relatório de avaliação externa que coloca o país numa posição desconfortável a nível regional, foi tornado público, semana passada, na cidade da Maxixe, durante a abertura da Reunião Provincial de Avaliação e Planificação da Educação.

O encontro, que decorreu na província de Inhambane, tinha na agenda a apreciação minuciosa do desempenho do sector ao longo do ano de 2025 e do primeiro trimestre de 2026, além de trazer para o debate a projecção dos efectivos escolares para o ano lectivo de 2027. A governante evidenciou o desfasamento entre o aproveitamento real e os indicadores oficiais do sistema, lamentando que o Estado gaste recursos sem o retorno pedagógico esperado.

Ao analisar os dados estatísticos nacionais, a ministra expôs com crueza a vulnerabilidade pedagógica institucional. “Ao fazermos a avaliação nacional, examinámos 100 alunos, e, desses, apenas sete que lêem. Significa que a nossa avaliação não reflecte exactamente aquilo que é real,” afirmou.

Samaria Tovela repudiou veementemente esta assimetria de dados que mascara as carências na alfabetização e na numeracia elementar das crianças moçambicanas, e disse de seguida: “Não está certo. Não pode haver uma distância grande entre a avaliação, aquilo que nós temos como resultado nos exames, e aquilo que nós temos como avaliação nacional, que é uma avaliação externa”.

Para reverter o actual quadro de fraco rendimento e os desafios de retenção escolar, a ministra instou os gestores escolares a todos os níveis a assumirem um maior empenho, rigor e sacrifício na liderança das instituições de ensino, sublinhando que a presença e o envolvimento dos directores nas escolas são os factores que fazem a diferença.

Tovela defendeu que a coordenação com a comunidade através dos Conselhos de Escola ajuda a mitigar problemas de aproveitamento e a conter vulnerabilidades sociais.

A par da crise de qualidade, a dirigente lançou um apelo severo para combater desvios de conduta e a impunidade no seio da classe docente.

A ministra exigiu que os directores não acobertem ou protejam profissionais envolvidos em práticas ilícitas, com foco na responsabilização disciplinar e criminal de professores que assediam ou se envolvem sexualmente com alunas, sob pena de a direcção se tornar cúmplice.

Tovela foi taxativa sobre o nível de exigência e a necessidade de expulsão para estancar esta realidade nociva no ambiente escolar.

“O professor está lá. E todos nós sabemos. E essa é uma infracção grave, é de expulsão. Nós temos um processo que é criminal e, por outro lado, tem um processo que é administrativo que nós temos que instaurar a nível da escola, mas ficamos ali todos como cúmplices,” condenou.

Por fim, Samaria Tovela contextualizou as dificuldades financeiras e logísticas estruturais do país, reconhecendo que a colecta de receitas orçamentais ainda é insuficiente para garantir carteiras e salas de aula decentes para todos.

Contudo, apelou à resiliência das equipas e à priorização de recursos essenciais, como o quadro e o giz, reafirmando o papel do professor como educador e protector.

A ministra concluiu exortando os quadros de Inhambane a desenharem dinâmicas locais de avaliação distrital contínua, preparando o sector para a nova avaliação nacional por competências prevista para o ano de 2027.

Fonte: Evidências 

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