Reserva Especial do Niassa: Secretário de Estado recua nas suspensões

O secretário de Estado da província do Niassa, Silva Livone, revogou, com efeitos imediatos, a suspensão da direcção da Reserva Especial do Niassa (REN), de duas sociedades que exploram recursos faunísticos na área e de uma ONG, depois de no dia 08 deste mês ter interditado as referidas entidades de desenvolver as suas actividades.  

Livone justifica a anulação das suspensões com os resultados do “relatório de campo e propostas de acções de seguimento da Comissão de Acompanhamento adoptadas na IX Sessão Ordinária do Conselho dos Serviços de Representação do Estado na Província do Niassa, realizada no dia 22 de Junho, na cidade de Lichinga”. Não está claro se o recuo de Livone é resultado da pressão dos órgãos centrais por alegada usurpação de competências.

Na semana passada, Livone, criticado em vários sectores por decisões consideradas “populistas”, anunciou a suspensão das referidas entidades por alegado incumprimento de obrigações sobre a mitigação do “conflito homem-animal”. Numa nota, datado de 08 de Junho, Livone anunciou a indicação de uma nova comissão de gestão da REN dirigida por Adélio Emílio Sidónio, como coordenador, que será coadjuvado por Cassio Jamal, “ambos quadros do sector do Ambiente e da Fiscalização na província”.  

Estavam igualmente suspensos das actividades de exploração de recursos faunísticos os operadores Sociedade Bufalo Safaris e Sociedade Nhalicanga Wilderness, que actuam nos distritos de Marrupa e Majune, respectivamente, na zona tampão na REN. Também ficou impedida de exercer as suas actividades a WCS, uma organização não-governamental (ONG) que estava envolvida na exploração de recursos faunísticos na província do Niassa. A decisão foi justificada com “o mau relacionamento com comunidades locais, falta de respeito às comunidades locais e aos governos distritais”, refere o comunicado.  

A população dos distritos abrangidos solicitou a referida decisão e a mesma foi objecto de ponderação das autoridades, prossegue a nota. “As decisões resultam do incumprimento dos compromissos assumidos no âmbito da mitigação do conflito homem animal que tem afectado de forma recorrente as comunidades na zona de conservação, criando perdas de vidas humanas e destruição de campos de produção”, lê-se no texto.  

Leão cai numa latrina em Mecula Um leão caiu numa latrina que acabava de ser escavada, na comunidade de Lisongole, posto administrativo de Lugenda, distrito de Mecula, na REN, tendo sido resgatado por um médico-veterinário.  

“Após a notificação, a Polícia da República de Moçambique, Luwire e a Direcção da Reserva Especial do Niassa mobilizaram uma equipa conjunta, constituída por seis membros, incluindo quatro fiscais, um gestor da Luwire e um agente da PRM, para assegurar o local, salvaguardar a segurança da população e garantir o bem-estar animal, prevenindo assim um potencial conflito ‘homem-leão’, através do estabelecimento de um perímetro e segurança”, refere um relatório sobre as medidas encetadas para retirar o felino da cova.  

Após uma breve reunião com as lideranças locais e a sensibilização da comunidade, para se afastar da área da ocorrência, procedeu-se à imobilização química do leão, utilizando um projector de dardos, dardos apropriados e fármacos anestésicos adequados para o efeito, diz o documento.  

Depois de se neutralizar o animal, seguiu-se uma avaliação da profundidade e do grau anestésico do carnívoro, para a garantia de que as condições de segurança estavam reunidas antes de iniciar a sua remoção.  

Fez-se uma avaliação do grau e profundidade anestésica, colocação de uma venda, para redução de estímulos externos e minimização de “stress”, remoção do leão com o recurso a cordas, transporte para uma área segura e fora das comunidades, bem como libertação no seu “habitat”. “No local de libertação, foi administrado um protocolo de reversão anestésica, permitindo a recuperação completa do animal, que retornou ao seu estado normal sem quaisquer complicações”, diz o aludido relatório.

Fonte: Savana

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