FMF incansável na busca de reforços para os “mambas”

Depois dos bem-sucedidos processos de naturalização de Ratifo, Guima, Jonathan Momó, Alfons Amade, Pepo e Diogo Calila, que após obter a documentação necessária para se tornarem moçambicanos foram autorizados pela FIFA a representar os “Mambas”, tendo desde logo se tornado em mais-valias para o combinado nacional, a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) abriu agora uma nova frente, pelo que em Setembro a Selecção Nacional poderá ter mais novos elementos, se forem bem conjugados diversos factores. Neste momento a FMF tem cerca de 15 processos de naturalizações pendentes, muitos deles de jogadores que até já têm a nacionalidade moçambicana, mas falta autorização da FIFA para poderem jogar pela Selecção Nacional, sendo que outros ainda não são considerados moçambicanos, ostentando a nacionalidade dos países aonde nasceram ou vivem actualmente.

Os guarda-redes Rui Mota e Raimundo Duarte, ambos a jogar nos escalões secundários do futebol português, com 24 e 25 anos, respectivamente, já têm documentação moçambicana, mas aguardam pelo “ok” da FIFA e também da avaliação da equipa técnica da Selecção Nacional se estão em condições de integrar os “Mambas”. Estão pendentes, por outro lado, jogadores como Martim Alberto, de 22 anos, lateral-esquerdo do Almería “B” da Espanha, Luís Trabulo, mais conhecido por Pité, de 31 anos, médio-ofensivo do Torreense, vencedor da Taça de Portugal, equipa que milita na II Liga Portuguesa. Filipe Chaby, de 32 anos, médio-centro que joga no Semen Padang da Indonésia, natural de Setúbal, em Portugal. Benujamim Luís, de 26 anos, que actua no FC Phonix Lubeck da Alemanha na Liga Regional Norte, é outro caso pendente, como Arsénio Nunes, veterano de 36 anos, extremo do Lusitano, da II Liga Portuguesa.

Ainda na Alemanha, temos Jeffrey Obst, lateral-direito de 32 anos nascido em Berlim, jogando presentemente para o ATSV 1898 Erlangen, da Regional-liga Oeste daquele país europeu. Anderson Manjate tem 25 anos, nasceu no Canadá, filho de pais moçambicanos, é médio-defensivo actualmente ao serviço do Olympia Agnonese, da Quarta Divisão Italiana. Também com desejo de se tornar “mamba” está o extremo-direito Denilho Cleonise, de 24, neste momento ostentando a nacionalidade holandesa. Actualmente joga no RKC Waalwijk, do “seu” país, depois de ter passado por clubes locais, como Twente, AZ Alkmaar, para além do Génova da Itália. Este é, sem dúvidas, o jogador mais cotado dentre todos com processos pendentes, ele que nasceu em Amesterdão. Eva’Nga à espreita e trio da ABB pendente O avançado camaronês Eva’Nga figura na lista dos processos pendentes que a FMF tem para as naturalizações.

O atacante foi recentemente contratado pelo Costa do Sol, num regresso a uma casa bem conhecida, ele que ao serviço dos “canarinhos” sagrou-se campeão nacional em 2019, para além de ter sido eleito melhor jogador e artilheiro-mor do Moçambola daquele ano. Dados em nosso poder indicam, ainda, que Khadre, Ejaita e Stephen, todos da Black Bulls, que já têm nacionalidade moçambicana, têm os processos pendentes na FIFA para poderem representar os “Mambas”. A mesma situação acontece com Gelício Banze, Ronny Marcos e David Malembana, todos nascidos na Alemanha e que já  jogaram pelas selecções nacionais, mas que têm um impedimento actualmente. Gelício jogou pelas selecções Sub20 e Sub-23, enquanto Ronny Marcos e Malembana actuaram pelos “Mambas”.

Hammed Jeleel, jogador da Black Bulls nascido em Lagos, na Nigéria, também já ostenta a nacionalidade moçambicana e tem autorização para jogar pelos “Mambas”, faltando apenas a aprovação da equipa técnica, encabeçada por Chiquinho Conde. NATURALIZAÇÕES REMONTAM DOS ANOS 90 Vale lembrar que o processo de naturalização de jogadores ou do resgate de estrangeiros com raízes moçambicanas não é novo entre nós. Nos anos 1990 Mário Artur e pouco depois Armando Sá, ambos radicados em Portugal e ostentando a nacionalidade daquele país, readquiriram a nacionalidade moçambicana. Mário Artur estreou-se pelos “Mambas” em 1997 frente à Zâmba, na Machava, na campanha de qualificação ao CAN-98, no Burkina Faso, e Armando Sá em 1999 diante dos Camarões, na corrida para o CAN-2000.

Depois destes seguiram o guarda-redes Ricardo Campos, já reformado, que se estreou em 2012, Faisal Bangal (2016), Ratifo e Malembana (2017), entre muitos outros que vieram a seguir, até Diogo Calila, o último. Globalmente, são naturalizações que emprestaram outra qualidade aos “Mambas”, que se apuraram para as duas últimas edições do CAN. Ninguém representa um país sem anuência da FIFA – MARTINHO “PAÍTO” MUCUANA, VICE-PRESIDENTE DA FMF PARA AS SELECÇÕES NACIONAIS O vice-presidente da FMF para a Área das Selecções Nacionais, o antigo internacional Martinho Mucuana, mais conhecido por Paíto, esclarece que para que um jogador com dupla nacionalidade jogue por um determinado país a FIFA exige certos requisitos e por vezes o processo leva muito tempo para ser decidido em Zurique. “Depois das autoridades competentes atribuírem a nacionalidade moçambicana a um jogador, nós, Federação, remetemos informações detalhadas sobre esse atleta à FIFA. Acontece que o organismo planetário tem as suas exigências e, dependendo dos casos, o processo pode levar muito ou pouco tempo.

Não basta só ter passaporte moçambicano para jogar por Moçambique”, esclarece. Deu exemplo de Pepo, cuja estreia nos “Mambas” só foi autorizada já com uma partida para a qual foi convocado já a decorrer, apesar de ter viajado para a concentração da Selecção já com a nacionalidade moçambicana. – “É um processo complexo. O Guima também passou por algo um pouco idêntico. Em relação a Khadre, por exemplo, o seu processo é mais complexo porque, diferentemente de Guima, Pepo e outros, não tem raízes moçambicanas. Se não estou em erro, a FIFA exigiu que ele permanecesse mais dois anos ininterruptos em Moçambique”, detalhou.

Fonte: Jornaldesafio

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