Óscar Monteiro dispara no Dia da Independência contra luxo dos gestores doBdM em tempo de crise : Há uma nova forma de roubar ao povo escondida nossalários

Em pleno Dia da Independência Nacional e ao lado dos seus camaradas de trincheira, o veterano
da Luta de Libertação Nacional, Óscar Monteiro, não poupou críticas à polémica envolta a salários
milionários dos gestores de topo, incluindo do Governador do Banco de Moçambique. Visivelmente
indignado e arrepiado, Óscar Monteiro disse que há uma nova forma de roubar que guarda também
a nossa riqueza. “Como é possível votarem a si próprios salários fabulosos”, questiona o antigo
combatente, para quem “estão a roubar ao BdM; estão a roubar o património do Estado”. Defende
que o primeiro passo para combater esta realidade passa pela restauração da ética e da integridade
na gestão dos recursos do Estado, advertindo que a tolerância a este tipo de práticas compromete
a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.


A polémica foi despoletada há dias, aludindo que os Administradores de topo do Banco de
Moçambique, incluindo o Governador Rogério Zandamela, recebem remunerações milionárias, ao
arrepio da realidade do povo moçambicano, sobretudo a disparidade da paupérrima economia
nacional, que bastas vezes é alvo de alertas pela mesma instituição.


O BdM terá gasto cerca de 300,9 milhões de meticais em salários e regalias para os seus nove
Administradores, cujo valor ultrapassa os 340 milhões ao incluir outras entidades participadas.


Cada Administrador (incluindo o Governador) aufere uma remuneração média na ordem de 2,7
milhões de meticais por mês. Estes salários robustos triplicaram durante o mandato de Rogério
Zandamela e têm sido alvo de forte reprovação por parte de economistas e académicos.


Os dados indicam que cada Administrador auferiu, em média, cerca de 4,7 milhões de meticais por
mês durante o ano passado.


Críticos apontam insensibilidade face ao custo de vida, visto que o salário mínimo nacional na
Função Pública se mantém em 8.758 meticais. Segundo apurámos, aproximadamente 300 milhões
de meticais foram pagos directamente pelo Banco de Moçambique, enquanto os restantes 40,5
milhões de meticais tiveram origem em participações dos gestores em entidades participadas,
entre elas a Kuhanha, SIMO, Afrexim Bank e Swift.


Neste contexto, o autor da célebre frase “há um elefante na sala”, Óscar Monteiro, condenou
publicamente esta luxúria desproporcional e ao arrepio da miséria visível dos moçambicanos.


Em pleno Dia da Independência Nacional, o veterano da Luta de Libertação Nacional classificou a
atitude dos Administradores do BdM como uma nova forma de saque aos cofres públicos,
denunciando que remunerações milionárias atribuídas a altos dirigentes do Banco de Moçambique
representam uma apropriação indevida dos recursos do Estado.


“Moçambique enfrenta um grave problema de degradação da ética na Administração Pública. O
desvio de dinheiro público já não ocorre apenas por meio da corrupção tradicional, mas também
através da atribuição de salários considerados exorbitantes”, lamentou.


Óscar Monteiro afirmou que o Banco de Moçambique tornou-se o exemplo mais evidente desta
prática, que descreveu como uma forma sofisticada e disfarçada de roubo do erário.
“Como é possível votarem a si próprios salários fabulosos”, questiona Monteiro, para quem “estão
a roubar ao BdM; estão a roubar o património do Estado”.


Para o antigo combatente, independentemente da designação legal ou administrativa utilizada para
justificar essas remunerações, o resultado é o mesmo: recursos públicos acabam concentrados nas
mãos de um pequeno grupo de dirigentes.


“O dinheiro do Estado está a ser retirado de forma disfarçada, sob a capa de remunerações e
regalias. Este tipo de procedimento não deixa de ser um crime contra os bens públicos”, anotou.


Defende que o primeiro passo para combater esta realidade passa pela restauração da ética e da
integridade na gestão dos recursos do Estado, advertindo que a tolerância a este tipo de práticas
compromete a confiança dos cidadãos nas instituições públicas e aprofunda as desigualdades
sociais.


A fonte instou a uma reflexão profunda sobre a moralidade na Administração Pública e o impacto
destas decisões na confiança dos cidadãos face às instituições do Estado.


Óscar Monteiro, que tem sido uma voz crítica dentro do partido e do Governo, entendeu que este
tipo de actos demonstra um real afastamento das elites políticas e administrativas das
preocupações reais da população.


Em várias intervenções públicas, o veterano tem alertado para o crescimento dos privilégios no
Aparelho do Estado, defendendo um regresso aos valores de modéstia, responsabilidade e
proximidade com o povo.

Envelopes milionários em tempo de crise


Enquanto o Banco de Moçambique justifica os níveis remuneratórios com a necessidade de atrair
e reter quadros altamente especializados, economistas, analistas e sectores da Sociedade Civil
questionam se é aceitável que gestores públicos recebam pacotes milionários num contexto de
dificuldades económicas generalizadas.


Informações disponíveis indicam que o aumento dos gastos com os órgãos de gestão acontece em
paralelo com uma forte deterioração das contas da instituição. O Banco de Moçambique fechou o
ano de 2025 com um prejuízo líquido recorde de 13,34 mil milhões de meticais.


Este resultado agrava substancialmente o cenário que já se tinha verificado no ano anterior, no
qual o Banco Central já havia acumulado um saldo negativo de 4,15 mil milhões de meticais.


Para além dos custos internos, as auditorias independentes realizadas pela Forviss Mazars apontam
que a crise financeira do Banco é severamente influenciada pelo incumprimento do Estado
moçambicano.


De acordo com o relatório, o Governo não cumpre com as suas responsabilidades financeiras junto
ao Banco Central desde 2005.


Actualmente, essa dívida acumulada do Estado já atinge a marca dos 121,98 mil milhões de
meticais. O auditor alertou ainda que o Banco de Moçambique deixou de registar nas suas contas
individuais e consolidadas os juros e rendimentos desta dívida, estimados em 27,7 mil milhões de
meticais.

Fonte: Jornal Notícias

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