A xenofobia continua a transformar-se numa crise migratória e humanitária no Terminal Interprovincial da Junta, na Cidade de Maputo. Milhares de cidadãos continuavam ao relento até ao fim da tarde desta quarta-feira, e várias brigadas, incluindo da saúde e do INGD já se mobilizaram para atender os migrantes.
Malas espalhadas pelo chão, homens, mulheres e crianças dormindo ao relento e em condições improvisadas, é o cenário vivido no Terminal Interprovincial da Junta, até ao fim da tarde desta quarta-feira, por milhares de cidadãos, maioritariamente de nacionalidade malawiana, em trânsito em Maputo, de regresso ao seu país.
Embora o cenário seja de uma crise humanitária, os migrantes não conseguem equipará-la a viver na África do Sul.
“Na África do Sul, agora mesmo, é muito difícil ficar”, afirmou Jafar Richard, vítima um dos cidadãos malawianos entrevistado no local, tentando encontrar um autocarro para regressar ao seu país de origem. A decisão de deixar à África do Sul é “porque essas pessoas nos perseguem, por falta de emprego naquele país”. Em fuga, o cidadão relata: “Estou a sofrer muito, agora mesmo, eu não tenho dinheiro para ir para casa, em Malawi.”
Sentados lado a lado com os seus pertencentes, ou por cima deles, os imigrantes passam o tempo em jogos para não ver o tempo passar, enquanto aguardam o transporte que os levará ao seu destino.
“Eu preciso do governo em casa [Malawi], que também tente organizar as pessoas, para regressar, e tenham o que fazer lá, porque as pessoas que vêm da África do Sul têm um futuro e podem dar continuidade lá, se o governo criar condições”, explicou Susan Betsa.
A crise expõe, não apenas o drama migratório, mas também os efeitos da xenofobia na região. É que, pela informação partilhada pela delegada do Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres na Cidade de Maputo, Esselina Muzima, que monitoriza a situação no terreno, “boa parte dos migrantes que chegam estão documentados, 98%”, porém foram perseguidos. No terreno, as autoridades moçambicanas tentam dar resposta à emergência através do INGD. O jornal O País sabe que o Serviço de Saúde de Lhamankulo destacou uma equipa de trabalho para assistência às vítimas, que se prevê que sejam retiradas ainda nesta quarta-feira.
Fonte: O País