Reconstrução Resiliente De Infra-Estruturas Hidráulicas: Gaza, Maputo e Sofala recebem investimento de 935 milhões de meticais

Uma injecção financeira superior a 935 milhões de meticais (equivalente a 13,5 milhões de euros), proveniente do Banco Mundial, vai viabilizar a recuperação urgente de infra-estruturas hidráulicas severamente danificadas no centro e sul do país. O financiamento, canalizado através do Mecanismo de Resposta a Emergências Contingentes, destina-se à reabilitação de diques e barragens localizados em bacias hidrográficas afectadas pelas cheias que assolaram o país no início deste ano, marcando uma transição estratégica da assistência humanitária imediata para a construção de infra-estruturas resilientes de protecção contra desastres.

De acordo com as directrizes do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, as frentes de trabalho vão concentrar-se nas províncias de Gaza, Maputo e Sofala. As intervenções de engenharia civil abrangerão os sistemas de protecção contra cheias de Xai-Xai, no Baixo Limpopo, as estruturas do rio Incomáti, incluindo a Ilha Josina Machel, e as defesas da bacia do Búzi, além de reparações específicas nas barragens de Massingir e Macarretane. As autoridades fixaram o mês de Março do próximo ano como prazo para a conclusão de todas as empreitadas previstas.

O pacote de obras visa mitigar os estragos provocados pelo ciclo de intempéries de 2025-2026, que desalojou milhares de famílias e devastou extensas áreas de cultivo, sistemas de saneamento e edifícios públicos. As projecções governamentais indicam que a conclusão dos trabalhos permitirá proteger cerca de 150 mil residentes e 20 mil hectares de terras agrícolas no Baixo Limpopo.

Na bacia do Incomáti, a protecção abrangerá aproximadamente 100 mil pessoas e 10 mil hectares de campos agrícolas, enquanto, na região do Búzi, os benefícios deverão alcançar cerca de 180 mil habitantes e 30 mil hectares. Adicionalmente, as barragens de Massingir e Macarretane reforçarão a segurança de cerca de meio milhão de pessoas residentes nas respectivas áreas de influência.

Em comunicado, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, sublinhou o empenho do Governo em restabelecer a segurança das populações afectadas pelos fenómenos climáticos extremos e em repor infra-estruturas essenciais para o transporte e a distribuição de bens e serviços.

O governante aproveitou ainda para lançar um apelo à vigilância comunitária, exortando as populações a prevenirem a vandalização dos diques e a evitarem a construção de habitações em zonas propensas a inundações. “Um dique não é apenas terra, pedra ou betão; é protecção, segurança e vida comunitária organizada”, vincou. A urgência deste investimento é sustentada pelos dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, que contabilizou mais de 300 mortos e cerca de um milhão de pessoas afectadas em todo o território nacional durante a última época chuvosa. O relatório oficial da instituição descreve um rasto de destruição que atingiu mais de 260 mil habitações, muitas das quais ficaram completamente destruídas ou submersas pelas águas, com particular incidência nas cheias extremas registadas em Janeiro, responsáveis por elevados prejuízos humanos, sociais e económicos.

Fonte: Evidências

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