Plano de reconstrução inclui resposta a futuros desastres

O Plano Global de Recuperação e Reconstrução Pós-Cheias de 2026, aprovado ontem pelo Governo, visa promover a recuperação das áreas afectadas, estabilização socioeconómica, disponibilização de meios de subsistência e reforço da capacidade de resposta a futuros desastres. Segundo Inocêncio Impissa, porta-voz da XIX Sessão do Conselho de Ministros, o documento adopta o princípio de resiliência e estrutura-se em cinco prioridades — assistência humanitária imediata; reposição de serviços essenciais; reconstrução de infra-estruturas; recuperação económica; e redução do risco de desastres.

As necessidades de recuperação e reconstrução estão estimadas em cerca de 102 mil milhões de meticais, aproximadamente 1,6 mil milhões de dólares, recursos que serão mobilizados através do Orçamento do Estado, parceiros de desenvolvimento, financiamento climático e outros mecanismos inovadores de apoio. Explicou que a sua implementação será assegurada através de um modelo que envolve o Conselho de Ministros na supervisão política; ministro da Planificação e Desenvolvimento, coordenação nacional; e os sectores e níveis descentralizados, como executores. O documento adopta uma abordagem inclusiva, priorizando os grupos vulneráveis e assegurando equidade territorial e social.

Está alinhado com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-2024 e com o Programa Quinquenal do Governo 2025-2029, sobretudo no domínio da sustentabilidade ambiental e resiliência climática. “Mais do que resposta a uma calamidade, este plano representa uma mudança de paradigma, integrando a resiliência no centro do desenvolvimento nacional e contribuindo para a redução estrutural dos impactos de desastres futuros”, disse. As cheias de Janeiro de 2026 afectaram 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia, com impactos significativos sobre a pobreza, segurança alimentar e meios de subsistência.

O impacto macroeconómico traduziu-se na revisão em baixa do crescimento do Produto Interno Bruto de 2026, de 2,8 por cento para 0,59 por cento. As estimativas indicam danos físicos de cerca de 69,5 mil milhões de meticais e perdas económicas de aproximadamente 41,37 mil milhões de meticais. Os estragos foram mais visíveis nas províncias de Gaza, Maputo e Sofala, concentrandose no sector social, com destaque para a habitação, enquanto as perdas são predominantemente registadas no sector produtivo, sobretudo na agricultura.

Fonte: Jornal Notícias

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