Líderes comunitários de vários bairros da cidade de Nampula acusam moto-taxistas e os vendedores de carvão ao domicílio de serem distribuidores da droga conhecida por “makha”.
A denúncia é feita após o lançamento, em Maio último, da campanha de combate à droga, denominada “Stop Makha”, numa iniciativa do Conselho Executivo Provincial.
A campanha tem a duração de três meses, e, até ao momento, já levou à detenção de várias pessoas, entre consumidores e traficantes, incluindo professores.
Na sequência, vários locais de venda da droga foram encerrados.
As autoridades intensificaram, igualmente, as fiscalizações, sobretudo em viaturas particulares e de transporte público, também considerados os principais meios utilizados para o seu transporte.
Com o encerramento da maior parte dos canais de distribuição, os grandes traficantes passaram a recorrer a vias alternativas, como os moto-taxistas, principalmente os que trabalham durante a noite, e os vendedores de carvão, que transportam pequenas quantidades da droga em bicicletas para posterior distribuição em diferentes pontos da cidade.
Segundo a denúncia, este método facilita o transporte em pequenas quantidades e permite passar, com maior facilidade, pelos postos de controlo instalados ao longo das principais vias, desde Nacala, Ilha de Moçambique e Mossuril, entre outros distritos de onde a droga é introduzida na província.
Anselmo Murrupele, líder comunitário no bairro de Mutava-Rex, disse, entretanto, que o tráfico e consumo de droga tem vindo a diminuir, graças ao trabalho coordenado entre as autoridades comunitárias e o Governo. Murrupele explicou que às autoridades comunitárias compete fiscalizar os bairros, identificar os indivíduos envolvidos no consumo e comercialização de droga e comunicar os casos às autoridades para a tomada das medidas previstas na lei. O líder comunitário revelou que muitos dos seus companheiros vivem sob constantes ameaças, por serem identificados como denunciantes dos traficantes ou consumidores. Porém, garantiu que os líderes não recuarão, por entenderem que estão a trabalhar em prol do bem comum, numa altura em que muitos jovens estão a perder-se, devido ao consumo e tráfico de droga nos bairros.
Fonte: Jornal Noticias