O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) registou, de Janeiro a Maio do corrente ano, 583 novos processos-crime por suspeitas de corrupção, que somados aos transitados do período anterior totalizam 1478 em tramitação. No mesmo período, segundo a directora do GCCC, Glória da Conceição Adamo, foram concluídos 399 processos, dos quais 277 acusados e remetidos aos tribunais, o que segundo a magistrada, demonstra o empenho do Ministério Público na responsabilização dos autores da corrupção e crimes conexos. Sublinhou ainda que estes números representam muito mais do que simples estatísticas processuais.
“Representam recursos públicos protegidos, confiança institucional reforçada, defesa do interesse público e mensagem inequívoca de que a corrupção continua a ser investigada, responsabilizada e combatida em Moçambique. Combater a corrupção é também proteger escolas, hospitais, estradas, infra-estruturas públicas e oportunidades para os nossos jovens”. Adamo, que falava sexta-feira por ocasião do Dia Africano do Combate à Corrupção, cujas cerimónias centrais tiveram lugar na cidade de Xai-Xai, em Gaza, referiu que a luta contra este fenómeno não se esgota na investigação e responsabilização criminal.
Considerou ainda que o combate à corrupção exige investimento contínuo na prevenção, educação ética, transparência e construção de instituições cada vez mais resistentes e pouco propensas a este fenómeno social, por forma reduzir o seu impacto na sociedade. A também Procuradora-geral adjunta realçou que a corrupção não constitui apenas violação da lei, “é um cancro que compromete a qualidade dos serviços públicos, reduz a confiança nas instituições públicas e afasta, por tabela, investimentos e oportunidades de desenvolvimento do país”.
Sustentou ainda que o futuro da integridade em África depende, em grande medida, da capacidade de formação de uma geração que valoriza a honestidade, responsabilidade, o respeito pela coisa pública e ética. “Nenhum país combate à corrupção apenas com leis ou instituições. Combate-a, sobretudo, formando cidadãos conscientes de que a honestidade não é ingenuidade, mas acto de coragem, cidadania e de patriotismo”, referiu.
Por sua vez, o secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto, apontou a corrupção como um grave risco para desenvolvimento por desviar os recursos públicos que seriam destinados ao financiamento de sectores sociais vitais, como saúde e educação. Referiu ainda que a sua prevenção e combate efectivo exigem responsabilidade, compromisso e denúncias.
Fonte: Jornal Notícias