Oitavo trimestre consecutivo: Confiança das empresas continua em desaceleração

O Indicador de Clima Económico (ICE) das empresas moçambicanas registou novo abrandamento no segundo trimestre de 2026, o oitavo consecutivo, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O indicador trimestral do ICE, que avalia a confiança das empresas, aponta para um “ligeiro abrandamento” em face do trimestre anterior, mantendo o respectivo saldo abaixo da média da série temporal, numa desaceleração influenciada pela estagnação da perspectiva de emprego, apesar dos sinais positivos da procura.

Este indicador atingiu 89,8 pontos no terceiro trimestre de 2025, contra 90,3 pontos no trimestre anterior, aproximando-se do mínimo histórico de 81,7 pontos registado no terceiro trimestre de 2020.

No quarto trimestre de 2025 desceu para 88,7 pontos, no primeiro trimestre de 2026 para 88,0 pontos e, no segundo trimestre deste ano, voltou a recuar, para 87,2 pontos.

O documento acrescenta que, em termos sectoriais, a avaliação desfavorável do clima económico se deveu à queda da confiança na produção industrial, tendência observada desde o trimestre anterior, e ao recuo no comércio pelo terceiro trimestre consecutivo, apesar da ligeira recuperação registada no sector dos serviços desde o último trimestrede 2025.

Por outro lado, o indicador de expectativa da procura continuou a melhorar pelo terceiro trimestre seguido, tendência iniciada no quarto trimestre de 2025, embora o respectivo saldo permaneça abaixo da média da série cronológica.

O indicador subiu de 90,7 pontos no primeiro trimestre para 91,5 pontos no segundo trimestre deste ano. Por sua vez, a expectativa de emprego manteve-se estável pelo terceiro trimestre consecutivo, depois da acentuada redução registada nos dois primeiros trimestres de 2025.

O respectivo indicador permaneceu nos 80,8 pontos, continuando abaixo da média histórica. “Esta estabilidade do indicador de emprego futuro foi influenciada pela avaliação positiva do indicador nos sectores do comércio e dos serviços, apesar da baixa registada na produção industrial, se comparado com o trimestre anterior”, explica o INE.

O indicador de perspectivas de preços de bens e serviços continuou, igualmente, a sinalizar positivamente pelo segundo trimestre consecutivo, contrariando a tendência desfavorável observada desde o segundo trimestre de 2025.

O respectivo saldo subiu de 100,4 para 102,6 pontos, colocando-se acima da média da série temporal. Os constrangimentos enfrentados pelas empresas aumentaram no segundo trimestre de 2026. Em média, 49,8 por cento das empresas inquiridas reportaram algum obstáculo à actividade, o que representa um aumento de 3,5 pontos percentuais em face dos 46,3 por cento registados no trimestre anterior. A produção industrial foi o sector que registou maior nível de constrangimentos, afectando 56,9 por cento das empresas, seguida dos serviços, com 49,4 por cento, e do comércio, com 43,2 por cento.

Fonte: Jornal Noticias

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