| O Presidente da Renamo, Ossufo Momade, está quase a cair em resultado das acções que têm estado a ser levadas a cabo pelo grupo de membros desta organização que, há algum tempo, vêm demonstrando o seu descontentamento com a performance e comportamento do substituto de Afonso Dhlakama, o líder histórico do antigo movimento rebelde e posteriormente partido político. A convicção de que Ossufo Momade está a quase a compreender que a pressão não tem volta e, por essa via, reconhecer que deve deixar o lugar à disposição, é de Moxador Machava, um dos rostos mais representativos da ala descontente, que inclui antigos guerrilheiros da Renamo abrangidos pelo processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR). Este falava, na manhã desta quarta-feira, à saída da Procuradoria do Distrito Municipal Kapfumo. “Estamos quase a vencer. Estamos quase mesmo a remover o Ossufo Momade junto com a liderança dele”, declarou Machava à saída da Procuradoria, onde foi ouvido juntamente com outros membros, totalizando cinco, acusados de terem invadido a sede nacional da RENAMO, em Maputo, no ano passado. Machava rejeitou as acusações, argumentando que, como membro que paga quotas ao partido, tem direito de aceder à sede. “Eu sou membro do partido, pago cotas para o funcionamento daquela sede nacional. Onde está o crime?”, questionou, responsabilizando Ossufo Momade pelos confrontos que se seguiram. Lembrou ainda que houve ferimentos após a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) ter invadido a sede e retirado à força os membros que contraíram ferimentos decorrentes daquela operação. “Quem invadiu é ele [Ossufo Momade], porque ele é que trouxe a UIR, que partiu as portas, o vidro”, acusou. “Ossufo Momade está apagado” Numa crítica direccionada à actual liderança, Machava tentou comparar Ossufo Momade ao falecido líder do partido, Afonso Dhlakama, chegando à conclusão de que o actual presidente não representa sequer 1 porcento do que a Renamo devia ser. Disse que se encontra uma antítese completa se se tentar colocar em paralelo as figuras de Afonso Dhlakama e de Ossufo Momade. “Estamos habituados àquela vida do presidente Dhlakama e vamos encontrar um Ossufo Momade muito apagado, está escuro na Renamo”, afirmou, acrescentando que “a oposição serve para ajudar e salvar o povo moçambicano”, algo que, na sua perspectiva, não está a acontecer com a actual liderança. Efectivamente, o actual presidente da Renamo anda completamente sumido. Ninguém sabe dizer onde se encontra. Não é visto na esfera pública a intervir na qualidade de líder da terceira força política do país. “O povo está a sofrer em Moçambique, sem salário, com a guerra em Cabo Delgado. As pessoas na África do Sul estão a sofrer, estão a morrer. Ninguém está a falar. Se estivesse aqui o Afonso Dhlakama, não estaria desta maneira” – disse Machava, recordado a postura de guerra pública que marcou a vida de Afonso Dhlakama. Controlo das províncias Machava garantiu ainda que os membros que contestam a actual liderança já controlam estruturas do partido em várias províncias do país. “Já ocupamos as províncias, já estamos lá, já estamos a trabalhar. Já estamos na Beira, Inhambane, Gaza, Cabo Delgado”, enumerou. O dirigente recordou ainda que o grupo foi expulso da Assembleia Municipal “de forma ilegal”, processo que, segundo afirmou, está pendente nos tribunais há quase um ano. Machava garantiu na ocasião que a luta interna não vai parar: “Esta luta não vai parar por aqui, vamos avante até vencermos”. “As delegações pertencem ao Partido Renamo” Também presente na audição, Arone Lavanhane, membro da Renamo na província de Maputo, confirmou que cinco membros do grupo foram notificados pela Procuradoria, alegadamente por invasão à sede nacional, um acto que, segundo o Ministério Público, constitui crime. Lavanhane contestou a interpretação jurídica do processo, sublinhando que as delegações partidárias não pertencem à actual liderança, mas ao partido, enquanto instituição. “As delegações são a nossa casa, as delegações pertencem ao partido Renamo. Este grupo aqui são as pessoas que contestam a liderança do Ossufo Momade, junto com os desmobilizados do partido Renamo”, disse. Lavanhane relatou ainda uma sequência de quatro cartas dirigidas à liderança do partido. Lembra dos pedidos feitos na época para um encontro com Ossufo Momade, e que, segundo alega, ficaram sem resposta até à quarta tentativa, quando decidiram permanecer na sede nacional em protesto. Fonte: MediaFax |