Em prova oral no quartel do SISE: Chapo examina ministros

Quase 20 meses depois da sua investidura como Presidente da República, Daniel Chapo submeteu os membros do Governo à mais profunda avaliação do seu desempenho, num exercício em formato de “prova oral”, sem a presença de assessores dos ministros, muito menos dos secretários permanentes e directores nacionais.

No referido encontro, organizado sigilosamente e realizado no quartel onde são formados agentes do SISE, em Maluane, província de Maputo, o Chefe de Estado exigiu que cada ministro apresentasse o grau de cumprimento do plano estratégico do Governo no respectivo sector, tendo igualmente em conta o contrato-programa assinado em Dezembro de 2025. Em determinados momentos, também os secretários de Estado dos ministérios foram chamados a prestar esclarecimentos.  

Os participantes estiveram aquartelados durante três dias – de sexta-feira, 31 de Julho, a domingo, 2 de Agosto. O encontro, tal como apurou o Dossiers & Factos, foi conduzido pelo próprio Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e incidiu sobre o cumprimento dos compromissos assumidos por cada sector governativo.

Com esta iniciativa, o Presidente da República estará a materializar o compromisso assumido a 16 de Dezembro de 2025, aquando da assinatura dos contratos-programa com os membros do Governo. Recorde-se que, na ocasião, Chapo garantiu que os resultados seriam monitorados e que o mérito seria reconhecido, mas também advertiu que “o incumprimento injustificado terá consequências”. Segundo fontes do Dossiers & Factos, a notificação para a realização da avaliação foi feita na última sessão do Conselho de Ministros, realizada na terça-feira, 28 de Julho.

Desde então, instalou-se um ambiente de expectativa e tensão entre os titulares das pastas ministeriais, tendo em conta o carácter pouco habitual do exercício. As mesmas fontes referem que, já na reunião, Daniel Chapo apresentou-se com um semblante carregado, sem sorrisos e com perguntas incisivas, tais como: “Achas que o povo está satisfeito com o teu trabalho?”. Esta questão, aliás, foi dirigida à maioria dos ministros.

Exame tem dois objectivos

Segundo fontes, com esta avaliação, Daniel Chapo procura igualmente legitimar eventuais mexidas governamentais nos próximos tempos, assim como reunir elementos concretos e sólidos para apresentar aos camaradas, de todos os níveis, na Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, que decorrerá entre os dias 21 e 23 do corrente mês, na cidade de Chimoio. As mesmas fontes indicam ainda que alguns ministros revelaram dificuldades em responder às questões colocadas pelo Chefe de Estado, não por falta de capacidade de comunicação, mas devido à escassez de resultados concretos para apresentar relativamente aos compromissos assumidos.

Ministros contratam consultores à última hora

Ainda segundo fontes do Dossiers & Factos, após serem notificados da realização da avaliação, alguns ministros recorreram, à última hora, à contratação de consultores para os auxiliarem na preparação de matrizes e argumentos destinados a convencer o Presidente da República. A orientação dada a todos os titulares das pastas governamentais foi a de que cada um deveria apresentar na reunião os chamados “entregáveis”, isto é, os principais resultados alcançados no desempenho de cada ministério, restando agora saber quem terá convencido Daniel Chapo e quem o terá decepcionado.

Secretários de Estado responderam de forma desfavorável aos ministros

Perante a contundência das perguntas colocadas pelo Presidente da República aos ministros, em determinados momentos foram chamados os secretários de Estado para apoiar os respectivos titulares, tendo-se registado respostas que não favoreciam os ministros e que evidenciavam, em muitos casos, falta de coordenação e colaboração entre estas duas figuras nos ministérios.

Fonte: Dossier e factos

Related posts

CIP critica falta de divulgação das últimas avaliações nacionais da pobreza

Para consolidar avanço do Projecto Mozambique LNG: TotalEnergies procura reabrir canal de diálogo com a Presidência

Convicção de membros da Renamo descontentes com a actual liderança: “Estamos quase a remover Ossufo Momade”