Rússia interceta drone “desafiante”. O que se sabe sobre Tekever e o AR3?

A Tekever é a empresa portuguesa responsável pelo AR3, o veículo aéreo não tripulado [UAV, na sigla em inglês] destruído pela Rússia na região fronteiriça de Briansk. A empresa foi recentemente selecionada pelo ministério da defesa do Reino Unido para o sistema de vigilância Corvus.

As últimas horas ficaram marcadas pela descoberta (e destruição) de um drone de origem portuguesa por militares russos, que abateram o veículo aéreo não tripulado [UAV, na sigla em inglês] na região fronteiriça de Briansk, na Rússia.

O batalhão anti-UAV, que opera os intercetores de drone Lis, especificou que, embora o drone tenha sido intercetado, permaneceu inteiro. “O motor ficou danificado, mas a fuselagem, o equipamento a bordo e a maior parte da estrutura permaneceram intactos”, indicaram as forças russas.

Os militares relataram à Tass que a tarefa de intercetar o drone português “foi desafiante”.

O drone em questão foi identificado como um AR3 e foi desenvolvido pela Tekever, uma empresa portuguesa fundada nas Caldas da Rainha em 2001 que, no começo de julho, somava mais de 1.300 trabalhadores e estava instalada em Portugal, no Reino Unido, França, Estónia, Ucrânia e EUA.

Mais recentemente, a Tekever foi até a escolhida pelo ministério da defesa do Reino Unido para o fornecimento do Corvus – um sistema de vigilância do exército britânico assente nos drones AR5 desenvolvidos pela empresa de origem nacional. O contrato é de 467 milhões de euros.

Quanto ao AR3 que foi abatido nas últimas horas em solo russo, sabemos pelo site oficial da Tekever que se trata de um drone híbrido – na medida que consegue operar em modo asa fixa (como uma aeronave tradicional) e também efetuar descolagem e aterragem vertical

Este drone da Tekever conta com com 4,2 metros de envergadura e 1,96 metros de comprimento, tem um peso entre os 25kg e os 30kg, uma capacidade de transportar cargas até 6kg, uma velocidade de cruzeiro que ronda os 85km/h e uma autonomia que vai até às 22 horas. Mais ainda, o AR3 da Tekever tem um alcance de comunicações máximo de 230km de distância.

Serve lembrar que desde 2023 que a Tekever está envolvida no conflito entre a Ucrânia e a Rússia e, na altura, o presidente executivo e cofundador da Tekever, Ricardo Mendes, afirmou que a empresa estava “muito orgulhosa por estar a apoiar a Ucrânia neste momento crítico”.

As nossas equipas estão a trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, para adaptar continuamente os nossos produtos às condições de campo em constante mudança na Ucrânia, superando dificuldades e desafios tecnológicos a um ritmo diário”, referiu ainda.

Aposta da Tekever em Inteligência Artificial

No passado mês de julho foi notícia a decisão da Tekever em comprar a Cloudsweep, uma startup portuguesa dedicada ao desenvolvimento de Inteligência Artificial. A Tekever, que não divulgou o investimento na aquisição, indicou que a Cloudsweep é “uma startup portuguesa especializada na aplicação de inteligência artificial ao desenvolvimento de ‘software'”.

De acordo com a empresa, esta operação enquadra-se na sua estratégia “de reforçar o ecossistema nacional de inovação, investindo em empresas tecnológicas emergentes, atraindo e retendo talento altamente qualificado e acelerando o desenvolvimento de capacidades críticas para a Europa nas áreas da inteligência artificial, engenharia de ‘software’ e sistemas autónomos”.

Paralelamente, destacou, “reforça uma transformação tecnológica que já vinha desenvolvendo internamente”, através da utilização da inteligência artificial como “elemento nativo dos seus processos de engenharia, permitindo acelerar o desenvolvimento de soluções cada vez mais sofisticadas para defesa, segurança e monitorização”.

ACloudsweep destacou-se desde a sua criação pela qualidade da sua equipa e pela inovação na aplicação da IA ao desenvolvimento de ‘software'”, indicou, apontando que a integração na Tekever permitirá “potenciar esse conhecimento num contexto de escala internacional”, com o “desenvolvimento de tecnologias críticas produzidas em Portugal” e usadas por governos e organizações em toda a Europa.

Com esta aquisição, a Tekever reforça ainda “o seu compromisso com o crescimento do ecossistema tecnológico português”, apontando que a inovação passa também “por apoiar empresas emergentes, integrar equipas altamente especializadas e criar condições para que o talento nacional participe no desenvolvimento das tecnologias estratégicas que irão moldar o futuro da Europa”.

Fonte: noticiasaominuto

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