Estão a ganhar demasiado dinheiro com base na escassez”, lançou o presidente norte-americano diante de jornalistas na Casa Branca.
O presidente dos Estados Unidos procurou, na última noite, orientar a mira para as petrolíferas norte-americanas ExxonMobil e Chevron, acusando-as de “ganharem demasiado dinheiro” com o impacto nos mercados da sua ofensiva contra o Irão. “Não gosto disso”, clamou Donald Trump.
Nas palavras de Trump, as petrolíferas estão a capitalizar a “escassez” e devem “devolver parte” dos lucros “ao público”.
Os proventos das empresas norte-americanas do sector somaram, no segundo trimestre do ano, mais de 26 mil milhões de dólares.
A Chevron averbou mesmo o maior lucro trimestral de sempre, na ordem dos 12,2 mil milhões de dólares, quintuplicando o valor do período homólogo. Por sua vez, a ExxonMobil reportou lucros de 14,5 mil milhões, o dobro do que acumulou no segundo trimestre de 2026.
“Chevron, dinheiro a mais. ExxonMobil, dinheiro a mais. Eles vão devolver parte disso ao público e é bom que reduzam o preço no retalho, o preço para o consumidor”, insistiu o presidente dos Estados Unidos, na noite de segunda-feira, a partir da Sala Oval.
Estas críticas de Trump aos gigantes do petróleo surgem semanas depois de o presidente norte-americano ter instado os retalhistas a reduzirem preços – via de comunicação que não será alheia à aproximação das eleições intercalares de novembro, num momento em que os índices de aprovação do atual inquilino da Casa Branca sofrem uma quebra pronunciada.O presidente dos EUA ordenou mesmo ao Departamento de Justiça que investigasse eventuais práticas abusivas na formação de preços no retalho do sector energético.
“Os retalhistas de combustível precisam de baixar os seus preços imediatamente”, escrevia Trump, em junho, na plataforma Truth Social, para ensaiar um aviso: “Se os retalhistas não o fizerem, haverá grandes problemas pela frente”.
A Administração republicana considera assim que a queda nos preços do petróleo e do gás verificada durante as negociações de junho com Teerão deveria ter levado a que os preços sofressem quebras mais acentuadas.
“Os preços do petróleo caíram muito e não estamos a ver nada disso nas bombas, na proporção em que deveria ocorrer”, propugnou Trump.
O caso português
Perante a escalada dos preços dos combustíveis, o Governo aprovou na passada quinta-feira, em sede de Conselho de Ministros, a implementação de uma Contribuição de Solidariedade Temporária sobre o Sector Petrolífero. Esta vai incidir sobre os lucros das empresas, a uma taxa de 33 por cento, quando excedam em mais de 20 por cento a média dos exercícios de 2024 e 2025.
Em comunicado difundido no dia da reunião do Executivo, o Ministério das Finanças afirmou que a contribuição em causa “deverá ser apurada e paga até ao final de setembro de 2027 e o Governo tudo fará para assegurar o cumprimento escrupuloso da medida”.
No início de abril, em carta conjunta, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, os homólogos de Alemanha, Lars Klingbeil, Itália, Giancarlo Giorgetti, e Áustria, Markus Marterbauer, e o ministro espanhol da Economia, Comércio e Negócios, Carlos Cuerpo, defenderam junto da Comissão Europeia a criação de um imposto sobre os lucros extraordinários das energéticas.
“Dadas as atuais distorções do mercado e as restrições orçamentais, a Comissão Europeia deve desenvolver rapidamente um instrumento de contribuição semelhante” à contribuição de solidariedade temporária implementada em 2022, propugnaram os signatários da carta.
“Windfall tax” Na esteira da crise energética espoletada pela invasão russa da Ucrânia, os ministros da Energia da União Europeia aprovaram, em 2022, a taxação de 33 por cento sobre lucros extraordinários das empresas de combustíveis fósseis.
A ideia passava pela criação de uma “contribuição solidária” a redistribuir pelos mais vulneráveis, por um teto máximo para os lucros das produtoras de eletricidade a baixos custos e planos de redução de consumo.
Em Portugal, a denominada windfall tax incidiu sobre as energéticas de 2022 a 2023 e permitiu arrecadar cerca de 8,3 milhões de euros, valor abaixo das expectativas do Governo.
Há uma semana, a Galp anunciou um aumento do lucro em 44 por cento, para os 812 milhões de euros, no primeiro semestre relativamente ao período homólogo, resultado potenciado pelo aumento da produção de petróleo no Brasil e pela cotação média do barril de Brent.
Fonte: RTP