Investimento de USD 40.5 milhões deve reduzir evacuações médicas para o estrangeiro

O lançamento, esta segunda-feira, da primeira pedra para a construção do Centro Cirúrgico Nacional deve contribuir de forma significativa para a redução da necessidade de evacuação e transferência de doentes para o estrangeiro, particularmente os que necessitam de intervenções cirúrgicas especializadas. Na linguagem do Presidente da República, Daniel Chapo, que presidiu à cerimónia de lançamento da primeira pedra, o objectivo é “acabar com a ida dos nossos irmãos para outros países para encontrarem melhores condições de saúde”, um desejo e discurso que não têm como se concretizar tão já tendo em conta o contexto e as vicissitudes que marcam o dia-a-dia do Serviço Nacional da Saúde (SNS). “Durante muitos anos, muitos cidadãos moçambicanos que necessitam de procedimentos cirúrgicos complexos foram obrigados a procurar tratamento fora do País – África do Sul, Portugal, Índia, entre outros países – através de juntas médicas, com custos elevados para as famílias e para o Estado moçambicano, longos períodos de espera e, sobretudo, com o sofrimento que acompanha a doença e a separação dos seus familiares” – disse Daniel Chapo, mostrando esperança sobre os resultados de um investimento na ordem de 40.5 milhões de dólares, que conta com a contribuição da República Popular da China.

A obra, que será erguida no recinto do Hospital Central de Maputo, deverá estar concluída em 24 meses. O projecto contempla um edifício de oito pisos com capacidade para 475 camas, incluindo unidades de cuidados intensivos, 14 salas de operações equipadas com tecnologia de última geração, e serviços de urgência, imagiologia, laboratório e outras áreas de apoio clínico. “Saúde é investimento, não despesa” No seu discurso, o Chefe de Estado reafirmou o compromisso do Governo em considerar a saúde como pilar fundamental do desenvolvimento. “A saúde não é um privilégio, é um direito. Ninguém pode morrer por falta de recursos”, declarou, sublinhando que “não podemos considerar a saúde uma despesa. Saúde é investimento”. O Presidente da República lamentou que, durante muitos anos, cidadãos moçambicanos necessitando de cirurgias complexas tenham sido obrigados a procurar tratamento fora do país, através de juntas médicas, com custos elevados para as famílias e para o Estado, longos períodos de espera e o sofrimento da separação familiar.

“Não queremos que a doença obrigue um moçambicano a procurar, no estrangeiro, aquilo que o seu próprio País pode e deve oferecer”, afirmou, acrescentando que a construção do Centro Cirúrgico Nacional visa “construir confiança, esperança e soberania sanitária”. Valorização dos profissionais de saúde O Chefe de Estado aproveitou a ocasião para homenagear os profissionais de saúde moçambicanos, a quem chamou “autênticos heróis” que trabalham “muitas vezes em condições difíceis” em localidades sem água, energia ou rede de telefonia móvel. Reconheceu ainda que Moçambique dispõe de médicos com “capacidade extraordinária para tratar cirurgias complexas”, mas que faltavam “meios tecnológicos” para demonstrar essa competência.

O novo centro, segundo Chapo, permitirá que especialistas formados no estrangeiro possam “regressar e encontrar a mesma tecnologia de ponta no seu país”. Daniel Chapo agradeceu ao Governo chinês e ao Presidente Xi Jinping pela materialização do projecto, classificando-o como “mais um marco da extensa cooperação histórica” entre os dois países, particularmente no domínio da saúde pública. A embaixadora da China em Moçambique esteve presente na cerimónia de lançamento da primeira pedra. Este projecto surge no contexto da recém-aprovada Lei do Sistema Nacional de Saúde, que prevê a construção de postos de saúde comunitários para “cuidar do povo desde a povoação” e aliviar a pressão sobre hospitais distritais, provinciais e centrais. “Vamos cuidar o nosso povo a partir do local onde o povo se encontra”, prometeu o Presidente, numa clara aposta na descentralização dos cuidados de saúde primários e na especialização ao nível central.

Fonte: Mediafax

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