A Ministra dos Combatentes, Nyeleti Mondlane, orienta aos técnicos do seu sector e aos académicos para continuarem a recolher e digitalizar a história da luta armada de libertação nacional, como estratégia para a sua eterna preservação, tornando-a ainda mais acessível à pesquisa e atractiva à leitura para os mais jovens. Falando na abertura do XVII Conselho Coordenador da instituição, que decorre no município da Matola, sob o lema “MICO, firme na Promoção do Bem-Estar dos Combatentes, Paz e Unidade Nacional”, a ministra fundamentou que os métodos tradicionais de valorização e divulgação da História de Moçambique já não bastam, por si só, para captar a atenção de uma juventude imersa no universo digital. Urge, segundo Nyeleti Mondlane, modernizar as estratégias de comunicação, tornando a história da luta de libertação nacional acessível, atractiva e relevante para os moçambicanos do século XXI.
No domínio da valorização da história e do património da luta de libertação nacional, a ministra dos Combatentes entende que as palestras, os debates e as demais iniciativas de divulgação realizadas reafirmam o compromisso do sector em manter viva, nas novas gerações, a chama da memória colectiva dos moçambicanos. Apontou ainda que é com este espírito de renovação que se impõe, cada vez com maior premência, a construção do Memorial dos Heróis Moçambicanos, em Malhazine, na cidade de Maputo. Esta obra, segundo a ministra, consagrará, em espaço próprio e digno, a memória eterna de quantos ofereceram a vida pela pátria, e constituirá, para as gerações vindouras, um símbolo perene do orgulho nacional. A ministra referiu-se ainda à extinção dos serviços provinciais de Representação do Estado (Secretaria do Estado), dizendo ser necessário repensar, com urgência e responsabilidade, a forma como o Ministério dos Combatentes vai assegurar a sua representação nas províncias.
A ideia, na óptica de Nyeleti Mondlane, é garantir que a prestação dos serviços aos combatentes não sofra qualquer interrupção ou enfraquecimento. “Este tema deverá merecer deste Conselho Coordenador uma reflexão aprofundada e propostas concretas”, declarou. Sobre os desafios que o sector enfrenta, Nyeleti Mondlane destacou que a dignificação das pensões dos combatentes permanece pendente da revisão da Lei n.º 16/2011, de 10 de Agosto, a par da modernização do Cadastro Nacional dos Combatentes. Falou ainda da protecção dos combatentes com deficiência, em particular os de deficiência profunda, que carecem de meios de compensação adequados e de soluções habitacionais dignas. A assistência médica e medicamentosa, o apoio às famílias enlutadas e o acesso à educação das novas gerações de combatentes que exigem continuidade e consolidação constituem outros desafios do sector.
O mesmo sucede em relação à modernização dos métodos de valorização e divulgação da História da Luta de Libertação Nacional, através da intensificação da pesquisa histórica e da produção de documentários — um domínio em que o sector se deve tornar cada vez mais proactivo, no espírito de “fazer diferente para alcançar resultados diferentes”. “Estes desafios abrem também espaço a oportunidades concretas para a reintegração socio-económica através de parcerias público-privadas; cooperação com parceiros nacionais e internacionais; e exploração de mecanismos financeiros de apoio ao empreendedorismo dos combatentes constituem vias concretas de resposta, a desenvolver no âmbito deste conselho coordenador”, concluiu a governante.
Fonte: Jornal Notícias