Governo corre para recuperar estradas antes das próximas chuvas

by Dilan Abdala

Intervenções de emergência em Gaza, Maputo e Inhambane estão avaliadas em 33 milhões de dólares. O Executivo promete atacar os pontos mais críticos a partir de Setembro, depois de uma época chuvosa que deixou dezenas de troços condicionados ou intransitáveis.


O Governo prepara-se para acelerar a reabilitação da rede rodoviária afectada pelas chuvas e cheias registadas no último ciclo chuvoso, com particular atenção para as províncias de Gaza, Maputo e Inhambane. As obras de emergência, avaliadas em cerca de 33 milhões de dólares, deverão avançar nas próximas semanas, numa corrida contra o tempo para reduzir o risco de novos cortes de estradas com o regresso das chuvas.


O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, reconhece que a intervenção em Gaza está atrasada em relação a outras áreas abrangidas pelo programa, mas garante que os procedimentos estão a ser acelerados para que as obras comecem ainda em Setembro.


“Na província de Gaza, esperamos iniciar as obras ainda agora, em Setembro”, afirmou Matlombe, explicando que os projectos se encontram na fase conclusiva.


A pressão sobre o Governo aumenta pelo histórico recente de danos provocados pelas chuvas. Durante a época chuvosa 2025/2026, as inundações atingiram com particular severidade o Sul do País, com Gaza entre as províncias mais afectadas. As cheias provocaram danos em estradas, pontes, sistemas de drenagem e outras infra-estruturas, condicionando o acesso a vários distritos e dificultando a circulação de pessoas, bens e serviços.


Dados das Nações Unidas divulgados em Janeiro indicavam que quase cinco mil quilómetros de estradas tinham sido afectados em nove províncias do País, num período em que mais de meio milhão de pessoas estavam afectadas pelas inundações. A situação foi particularmente grave em Gaza, onde a cidade de Xai-xai chegou a ser inundada, devido à subida das águas do rio Limpopo.


Na altura mais crítica das cheias, várias estradas ficaram intransitáveis ou com circulação condicionada. Em Gaza, por exemplo, a estrada Ndonga– Ndindiza registou cortes provocados pela erosão, enquanto a EN1, no troço Xai-xai–zandamela, enfrentou restrições, devido à infra-escavação da berma. Também a ligação Mapai–maxaila ficou afectada pelo galgamento de água em vários pontos.


É neste contexto que o Executivo pretende avançar, agora, com uma intervenção que, segundo o ministro, não deverá limitar-se à reposição do pavimento destruído. A aposta é na reconstrução de pontos críticos com soluções capazes de suportar melhor a pressão da água e reduzir a vulnerabilidade da rede rodoviária.


“Temos de acautelar para que as intervenções sejam definitivas, permitam, obviamente, que tenham maior resiliência para poder enfrentar a próxima época chuvosa”, explicou Matlombe.


Em Gaza, uma das prioridades será a recuperação dos pontos considerados mais vulneráveis, incluindo áreas da baixa de Xai-xai, onde o problema não está apenas relacionado com a resistência do pavimento, mas também com a drenagem das águas.


A experiência da última época chuvosa mostrou que a água continua a ser um dos principais factores de degradação das estradas da região. O galgamento da plataforma, a erosão das bermas, a saturação dos solos e a subida dos caudais dos rios comprometeram a circulação em diferentes troços.


A Administração Nacional de Estradas está, segundo Matlombe, a acelerar os procedimentos administrativos para que os empreiteiros possam entrar no terreno antes do início da próxima época chuvosa.


“A ideia é que durante a época chuvosa nós já tenhamos os empreiteiros no local para poderem garantir que haja melhor circulação”, disse o ministro.


Em Inhambane, as obras deverão arrancar antes das intervenções previstas para Gaza.


Segundo Matlombe, os trabalhos estão previstos para começar já na próxima semana.


O plano inicial previa a recuperação de aproximadamente 70 quilómetros de estrada naquela província. A extensão foi posteriormente revista para cerca de 50 quilómetros, concentrando os recursos disponíveis nos troços considerados mais críticos.


A redução da extensão, segundo a lógica apresentada pelo Governo, permitirá concentrar a intervenção nos pontos onde a degradação representa maior risco para a circulação e para a ligação entre comunidades.


Em Maputo, a estratégia é semelhante, com atenção especial às zonas baixas e aos locais onde a acumulação e o escoamento deficiente das águas têm provocado danos na rede viária. A solução deverá passar, em vários pontos, pela construção ou melhoria de estruturas hidráulicas capazes de permitir a passagem das águas sem comprometer a estrada.

A Província de Maputo também sofreu cortes e fortes constrangimentos durante as cheias de 2026. Entre os troços afectados estiveram ligações como Boane– Bela Vista, Matola–boane, Xinavane–magude e Marracuene–macaneta, em diferentes momentos da crise, sobretudo devido à subida dos caudais e ao galgamento de estradas.


No conjunto das três províncias, o Governo estima gastar cerca de 33 milhões de dólares na reposição de emergência da rede rodoviária.


“Todas as intervenções, as três províncias, estamos a falar de 33 milhões de dólares, é o valor estimado para a reposição de emergência”, afirmou João Matlombe.


O montante será aplicado numa fase em que as autoridades procuram, simultaneamente, responder aos danos já existentes e preparar a rede para novos episódios de precipitação intensa.


Paralelamente às intervenções de emergência, o Governo procura uma solução de maior duração para o corredor Marracuene–xai-xai, uma ligação estratégica para a circulação no Sul do País.


Segundo Matlombe, já foi lançado um concurso para a concessão do troço. A expectativa é que uma entidade seja identificada ou contratada até ao fim deste ano ou no princípio de 2027.

    Fonte: O País

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