Xenofobia: Mais 599 Nacionais Regressaram Repatriados da África do Sul

by Dilan Abdala

As autoridades nacionais receberam, na última semana, mais 599 cidadãos repatriados da África do Sul, na sequência da violência xenófoba, elevando para 2071 o número de moçambicanos que regressaram ao território nacional devido aos episódios de violência registados no país vizinho.


Segundo a agência Lusa, o balanço foi apresentado esta quarta-feira, 12 de Agosto, em Maputo, pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, que defendeu que a situação da migração na região deve ser discutida pelos chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) na próxima cimeira, marcada para 17 de Agosto.


De acordo com a governante, os 599 moçambicanos estavam detidos no centro de Lindela, na África do Sul, tendo as autoridades moçambicanas sido informadas sobre a sua situação para que fosse organizado o seu regresso.


“Estavam todos em Lindela [centro de detenção sul-africano]. Não nos deram muito tempo após nos informarem sobre a situação, mas conseguimos organizar-nos”, explicou Maria Lucas, classificando o processo como um “repatriamento coordenado”.


Com a chegada deste grupo, o número de moçambicanos repatriados devido à violência xenófoba na África do Sul passou para 2071, depois dos 1472 anteriormente anunciados pelo Governo. Pelo menos 11 moçambicanos morreram na sequência dos episódios de violência, segundo dados oficiais.

SADC chamada a discutir migração


Perante o agravamento da situação, Maria Lucas defendeu que a próxima cimeira da SADC deve servir de plataforma para os países da região discutirem a migração e procurarem soluções conjuntas para a questão.


“Esta talvez seja a plataforma ideal para todos falarmos, para não criarmos um sentimento, que já se está a ver aqui e que não é bom”, afirmou a ministra.


A governante reconheceu que a violência tem provocado algum ressentimento entre moçambicanos em relação aos cidadãos sul-africanos, mas apelou à contenção.


Para Maria Lucas, a pressão migratória enfrentada pela África do Sul, particularmente no que diz respeito à imigração ilegal, é uma questão que deve ser reconhecida pelos países da região. No entanto, considera que a forma como o problema foi gerido contribuiu para o agravamento da situação.


“Todos entendemos a África do Sul, que tem muita pressão em relação à imigração, sobretudo a ilegal, mas terá sido, provavelmente, a forma como geriram o assunto, como os nossos moçambicanos foram surpreendidos, como foram tratados e continuam a ser tratados. Todos nós acompanhámos [a situação]”, afirmou.


A ministra defendeu, por isso, uma abordagem regional que permita lidar com a imigração irregular sem colocar em causa a dignidade dos cidadãos.


“Nós entendemos a situação, mas, enquanto família, devíamos ter-nos sentado para nos organizarmos, no sentido de que aqueles que não tivessem documentos e que estavam ilegais na África do Sul pudessem sair com dignidade. E depois sentarmo-nos e falarmos sobre como organizar a nossa imigração”, frisou.


Violência intensificou-se desde Maio


Os episódios de violência contra estrangeiros intensificaram-se na África do Sul desde o final de Maio, envolvendo agressões, intimidações, saques, incêndios de residências e expulsões forçadas de cidadãos de vários países africanos.

Até 30 de Junho, grupos sul-africanos anti-imigração tinham dado um ultimato para que os estrangeiros abandonassem o país. Na altura, o Governo sul-africano anunciou restrições às políticas migratórias e o reforço das medidas de segurança.


O Presidente da República, Daniel Chapo, reconheceu, a 1 de Julho, o agravamento da violência xenófoba na África do Sul na sequência de incidentes envolvendo cidadãos moçambicanos e assegurou a existência de condições logísticas para o repatriamento e acolhimento das vítimas.


Moçambique tem cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul. Segundo dados divulgados pela Presidência da República, milhares de moçambicanos já regressaram ao País devido à violência.

Fonte: Diário Económico

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