Moçambique e Angola poderão estar mais próximos com o estabelecimento do cabo submarino entre Nacala e Lobito, aumentando a capacidade internacional de ligação à internet. O projecto, na fase de concessão, irá reduzir custos de comunicação e posicionar o país como importante corredor digital na região. A informação foi avançada ontem, em Maputo, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, na V Conferência Nacional das Comunicações. Para o efeito, foi assinado um memorando de entendimento entre os dois países, através dos ministros das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga e das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social de Angola, Mário Oliveira.
Daniel Chapo explicou que o acordo vai dinamizar a cooperação nos domínios de comunicações e meteorologia assim como nos serviços espaciais. “Queremos que estes investimentos se traduzam em benefícios concretos para os povos, que a conectividade e transformação digital estejam plenamente ao serviço do desenvolvimento, contribuindo na melhoria da educação, saúde, agricultura, comércio, serviços financeiros e capacidade dos jovens de criar empresas, empregos e soluções para os desafios nacionais”, disse.
Chapo indicou que decorre, no país, o licenciamento de operadores de satélite, fundamental para garantir conectividade em zonas remotas e de difícil acesso. Destacou a implementação de 60 estações de telefonia e extensão de acesso às comunicações a mais de 300 localidades, devendo beneficiar 4,4 milhões de cidadãos num investimento de 50 milhões de dólares. Paralelamente, estão a ser investidos 20 milhões de dólares na conectividade escolar. A consignação do espectro 5G, segundo Chapo, constitui um passo estratégico na modernização das comunicações.
Neste sentido, estão a ser construídas as bases para que a transformação digital deixe de ser aspiração e passe para ferramenta efectiva de modernização do Estado e desenvolvimento. “Queremos que na próxima década sejamos reconhecidos como das economias digitais mais dinâmicas do continente. Queremos ser um ‘hub’ energético, logístico e digital da região, pois temos energia para sustentar a inovação, transformação digital, ‘datacenters’, talento, juventude, visão, parceiros e determinação”, vincou.
A secretária-geral da União Internacional de Telecomunicações, Doreen Bogdan-Martin, apreciou as acções em curso no ramo da digitalização como a regulação da inteligência artificial, foco da Agência de Transformação Digital e ambição em se transformar num ‘hub’ digital. Por sua vez, o secretário-geral da União Africana de Telecomunicações, John Omo, desafiou os presentes na conferência a contribuir para que as redes de comunicações alcancem mais pessoas, sobretudo nos momentos de emergência.
Fonte: Jornalnotícias