Assassinato de Dom Osório Afonso: Ordem dos Advogados quer celeridade na investigação

A Ordem dos Advogados de Moçambique pede uma investigação “célere, rigorosa e transparente” sobre o assassínio do bispo de Quelimane, Dom Osório Afonso, indicando que o crime recorda que ninguém está imune às investidas da intolerância.

“Instamos as autoridades competentes a conduzirem uma investigação célere, rigorosa e transparente, capaz de identificar os autores materiais e morais deste crime e de os levar à Justiça”, lê-se no comunicado da Ordem dos Advogados de Moçambique.

O bispo da Diocese de Quelimane e administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, foi assassinado a tiro na madrugada de sábado, confirmou a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).

Perante este homicídio, os advogados pedem uma investigação para que o crime não seja esquecido, também porque “a moral colectiva foi frontalmente atingida e porque uma sociedade que não se preocupa com aqueles que defendem a dignidade humana compromete os próprios alicerces da sua humanidade”.

“Este crime recorda-nos que ninguém está imune às investidas da intolerância e da violência. Quando homens e mulheres comprometidos com a verdade, a justiça social, a paz e a defesa dos excluídos são transformados em alvos toda a sociedade deve sentir-se interpelada”, lê-se na mensagem da Ordem.

Para a instituição, o silêncio, a indiferença ou a banalização deste tipo de crime contribui para o enfraquecimento dos valores fundamentais que sustentam o Estado e a coesão nacional, recordando que recorrentes relatos de violência e intolerância em Moçambique constituem sinais “profundamente preocupantes” de uma deterioração da segurança pública e do tecido moral da sociedade.
Com efeito, o Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM) pediu o reforço da protecção aos líderes religiosos no continente e exigiu respostas das autoridades.

“Exigimos que todos os responsáveis, sejam eles autores directos, cúmplices ou mentores, sejam identificados, processados e levados à Justiça sem demora”, apelou o presidente do SCEAM, cardeal Fridolin Ambongo, numa nota citada pela LUSA.

Entretanto, uma nota da Santa Sé refere que o Papa Leão XIV expressou também profunda dor e apelou ao fim dos actos de violência em Moçambique.

Em declarações aos jornalistas, no mesmo dia do crime, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na madrugada de sábado na sua residência com uma arma do tipo AKM por homens que teriam escalado um muro, tendo vandalizado a segurança eléctrica e disparado contra o bispo na “parte do peito, no coração”.

A União Europeia (UE) pediu no sábado uma investigação “minuciosa e transparente”, lamentando e mostrando-se profundamente chocada com a morte trágica e violenta.

Fonte: Jornal Notícias 

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