A Digitalização da economia, vista como uma oportunidade para impulsionar o crescimento económico e promover a inclusão financeira, está também a criar novos riscos e vulnerabilidades exploradas por redes criminosas cada vez mais organizadas e tecnologicamente sofisticadas.
Perante este cenário, o Governo defende que o reforço dos mecanismos de prevenção e detecção de crimes financeiros constitui um imperativo estratégico para a defesa da soberania económica, estabilidade financeira e da segurança nacional.
O posicionamento foi manifestado recentemente, na cidade de Maputo, pela secretária-permanente do Ministério das Finanças, Albertina Fruquia, por ocasião da celebração do Dia Internacional das Unidades de Informação Financeira.
A dirigente justificou esta necessidade com o facto de a criminalidade financeira constituir uma das maiores ameaças ao desenvolvimento sustentável das nações, uma vez que os recursos ilícitos corroem as bases da economia formal, enfraquecem as instituições e comprometem a confiança dos investidores.
Fruquia destacou ainda o papel desempenhado pelo Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) na protecção do sistema financeiro nacional e no fortalecimento do Estado de Direito. Contudo, reconheceu que os desafios actuais exigem respostas cada vez mais modernas, integradas e inovadoras.
“O GIFiM deve reforçar continuamente as suas capacidades institucionais, investindo na modernização tecnológica, no desenvolvimento de sistemas de análise avançada de dados, no fortalecimento dos mecanismos de cooperação e, sobretudo, na formação e especialização dos seus quadros”, recomendou.
Por outro lado, lembrou que o combate aos crimes financeiros possui uma dimensão global, pelo que a cooperação contínua a ser o instrumento mais poderoso para enfrentar este fenómeno. Acrescentou que, num mundo cada vez mais interligado, a segurança financeira tornou-se responsabilidade colectiva.
“A partilha célere de informação, a coordenação institucional e a confiança entre os diversos actores nacionais e internacionais são elementos indispensáveis para o sucesso desta missão”, afirmou.
De acordo com dados do GIFiM, Moçambique registou, em 2025, operações suspeitas de financiamento ao terrorismo e de branqueamento de capitais avaliadas em 56,5 mil milhões de meticais.
O montante resulta de um total de 4639 comunicações de operações suspeitas, envolvendo os sectores imobiliário, de jogos, compra e venda de metais preciosos, seguros, sistema financeiro e moeda electrónica.
Fonte: Jornal Notícias