Se as estatísticas que consultei estão correctas, a nossa taxa de crescimento populacional está em 3%, ao ano. E temos hoje uma população com idade média de 16 anos e sem capacidade de criarmos educação, com os professores que temos, vai ser muito difícil acelerar a qualidade de educação para todas essas crianças”, Clara de Sousa antiga economista sénior do Banco Mundial.
A antiga economista sénior do Banco Mundial, Clara de Sousa disse que as estatísticas mostram que Moçambique, nos últimos dez anos, ao invés de reduzir a pobreza, aumentou. Isto é, a nossa incidência de pobreza foi para cima.
E acrescentou que Moçambique tem muita riqueza, mas deve-se de olhar de forma muito séria aos desafios que o nosso país enfrenta. “E porquê? Creio que só nós é que podemos resolver os problemas que o nosso país tem. E para tal, temos de começar por entender qual é o diagnóstico do mal para depois vermos como é que os podemos tratar”, disse a Clara de Sousa.
A economista que falava ontem, numa Aula aberta na Universidade Pedagógica de Maputo, subordinada ao tema: “Financiamento ao Desenvolvimento e Reformas Económicas”, considerou apesar de Moçambique ter inúmeras riquezas naturais, alguns que se nós tivermos capacidade canalizar poupança, seja nossa, seja de outrem não vamos conseguir gerar riqueza.
Questionada se os números apresentados pelo Banco Mundial no início deste ano, colocando Moçambique como um dos países mais pobres do Mundo, respondeu: “números reputados, reputáveis, eu não tenho elementos para contestar. O que posso recomendar é vamos pegar nisso e fazer disso energia positiva sairmos de onde estamos”.
Disse também que na verdade os números sobre os nossos indicadores sociais não são bons, são todos consistentes com a fotografia de que nós não estamos numa boa posição no ranking internacional. “Então, eu iria recomendar, em vez de gastarmos energia em C1 ou C2, vamos colocar a nossa energia em como é que nós saímos de onde estamos”, disse Clara de Sousa.
E acrescentou que acredita nos números, bem calculados do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Banco Africano, as Nações Unidas. “Geralmente essas são instituições que produzem estatísticas de boa qualidade, mas se nós temos estatísticas alternativas para podermos apresentá-las, devemos trabalhar para sair disto”, afirmou a antiga economista do Banco Mundial.
A população moçambicana cresce 3% por ano Por outro lado, a economista demonstrou preocupação com o rápido crescimento da população moçambicana que não é acompanhado com qualidade de educação. “Hoje já temos problemas, de criação do capital humano que só vai piorando. Se as estatísticas que eu consultei estão correctas, a nossa taxa de crescimento populacional está em 3%.
E se nós estamos a crescer 3% ao ano, e temos hoje uma população com idade média de 16 anos, vocês estão imaginar para onde é que nós vamos” E, acrescenta que sem capacidade de criar-se Educação, com Escolas que nós temos, com os professores que nós temos, vai ser muito difícil acelerar a produção de capacidade para educar essas crianças todas. Portanto, nós temos que fazer alguma coisa, e alguma coisa vai ter que ser feita de maneira diferente. E seja o que for que nós queiramos fazer, vai necessitar de financiamento.
Clara de Sousa diz que o estudo do Banco Mundial, indica que Moçambique precisaria investir até 2030 cerca de 37,2 mil milhões de dólares para garantir que o nosso capital humano e físico se torne resiliente e possa aguentar os choques que pensamos que virão na nossa direção.
Os perigos da ajuda externa Moçambique é hoje o país mais dependente de ajuda externa se compararmos com a média da África Subsaariana. “Um país tem que ter um plano de como é que se substitui gradualmente a ajuda.
Não estou a dizer que vamos chegar a zero hoje ou daqui a 100 anos, mas nós temos que ter uma estratégia para usar a ajuda externa como forma de aprendizagem, de demonstração daquilo que se pode fazer e sermos capazes de encontrar outras maneiras de fazer”, afirmou a economista.
Disse também que devemos mobilizar receitas internamente e deixar de pensar que o Estado pode fazer tudo. Temos que ser mais criativos em como é que o setor privado pode ser parte da resposta, de modo a que o setor privado continue a ter os seus ganhos e o setor público possa também contar com esse financiamento para poder fazer aquilo que precisa.
“Investimento de ideias estrangeiras é muito importante, como é que nós ligamos melhor as empresas locais e como é que nós realmente fazemos a diferença para as empresas locais começarem a ser não só criadoras da riqueza, mas serem parte do mundo para que nós estamos a entrar”, concluiu a economista.
Fonte: Canal de Moçambique