Guiné Aposta Na Refinação De Ouro E Oferece Uma Referência Estratégica Para Moçambique

A Guiné está a intensificar a sua estratégia de retenção de valor na indústria mineira, procurando afirmar-se como centro regional de refinação de ouro na África Ocidental. A aposta combina uma nova refinaria, uma proibição imediata da exportação de ouro bruto e reformas destinadas a reforçar a formalização e a rastreabilidade da produção artesanal. A iniciativa ganha expressão num contexto de preços internacionais elevados e de crescente pressão política dos países produtores para deixarem de ocupar apenas o início da cadeia de valor mineral.

A Guiné quer que uma parte maior do valor associado à refinação, certificação, comercialização, serviços financeiros, logística e tributação do ouro permaneça no país. A nova refinaria, estruturada através de uma parceria público-privada e avaliada em cerca de 30 milhões de dólares, deverá entrar em operação comercial em Julho, após as autorizações finais. A capacidade inicial anunciada é de 530 toneladas por ano, podendo atingir 733 toneladas em pleno funcionamento — uma dimensão que ultrapassa largamente a produção doméstica e revela a intenção de captar ouro proveniente de outros mercados da região.

Uma Aposta Para Reter Mais Valor No Território A Guiné produziu cerca de 2,32 milhões de onças de ouro no último ano, avaliadas pelas autoridades em aproximadamente sete mil milhões de dólares. Contudo, segundo o ministro das Minas, Bouna Sylla, menos de 1% desse valor permanece no país. É precisamente esta assimetria que a nova estratégia procura corrigir. A proibição de exportar ouro bruto deverá criar maior pressão para que a produção seja processada internamente antes de alcançar os mercados internacionais.

Mas a posição assumida pelas autoridades guineenses introduz também um elemento importante de realismo económico: uma refinaria só será sustentável se fo competitiva. Para atrair e reter matéria-prima, terá de oferecer eficiência, previsibilidade, padrões técnicos reconhecidos, rapidez de processamento, segurança, preços competitivos e acesso a mercados internacionais.

Fonte: O Económico

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