Moçambique Mobiliza US$75 Milhões Para Sementes E Avança Com Estratégia Agroflorestal

Abril de 2024, Província da Zambézia, Distrito de Alto Molócué, comunidade de Umpiti, Viveiro comunitário da EMC Castro Fernando no viveiro comunitário preparando dos as plantas para depois seem transplantadas nos campos.

Moçambique está a tentar responder às fragilidades expostas pelas recentes cheias, secas e ciclones através de uma dupla frente: assegurar sementes de qualidade para a próxima campanha agrária e promover sistemas de produção mais resilientes, capazes de conciliar produtividade, conservação dos recursos naturais e adaptação às alterações climáticas. Na abertura da Reunião Nacional de Sementes, em Maputo, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, anunciou a disponibilização de 75 milhões de dólares para financiar a aquisição de sementes certificadas durante a campanha agrária 2026/27. A medida deverá concentrar-se em culturas alimentares estratégicas, nomeadamente milho, arroz e feijão, com a intenção de garantir procura regular, estimular o aumento da produção nacional e dar maior previsibilidade ao investimento privado no sector.

A dimensão da decisão está directamente relacionada com uma vulnerabilidade que se tornou evidente durante a resposta às cheias deste ano. Segundo o ministro, apesar de existirem recursos financeiros para a aquisição de sementes, o mercado nacional não dispunha de volumes suficientes para responder à procura de emergência, levando o País a importar cerca de 80% das sementes distribuídas nesse contexto. O problema, portanto, não se resume à disponibilidade de financiamento. Está também ligado à capacidade produtiva nacional, à qualidade da semente, à organização da procura, à previsibilidade dos contratos e à capacidade de resposta do sector privado perante eventos climáticos cada vez mais severos.

Do Apoio De Emergência À Construção De Um Mercado Nacional O compromisso de disponibilizar fundos destinados especificamente à compra de sementes procura corrigir uma das principais limitações do sector: a ausência de um mercado suficientemente previsível para induzir produtores e empresas a aumentarem a sua capacidade. A mensagem deixada pelo Governo é a de que os recursos financeiros deverão constituir uma garantia efectiva de procura, permitindo aos operadores planear produção, investir em multiplicação de sementes e ampliar a oferta de variedades adaptadas às diferentes realidades agro-ecológicas do País.

Roberto Albino apelou, por isso, ao sector privado para expandir a produção nacional, sustentando que a previsibilidade deverá ser assegurada num horizonte que se estende até 2030. A perspectiva é relevante porque a importação pode responder a uma emergência pontual, mas não substitui a construção de uma indústria nacional de sementes. Uma cadeia local robusta reduz tempos de resposta, cria oportunidades empresariais, diminui a exposição a restrições externas de oferta e permite desenvolver variedades mais ajustadas às condições de solo, clima e produção das diferentes regiões moçambicanas.

Fonte: O económico

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