O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou ontem a importância estratégica dos projectos de gás da Bacia do Rovuma para a segurança energética global, sublinhando, por isso, a necessidade da continuidade do apoio dos 27 países-membros da União Europeia (UE) no combate ao terrorismo que afecta a província de Cabo Delgado. Falando a jornalistas em Lisboa, pouco depois de manter um encontro com o Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar, o Chefe do Estado voltou a explicar que o actual acordo existente com a UE está a chegar ao fim, daí a necessidade de se continuar a trabalhar com a Comunidade Europeia para que haja a renovação da ajuda por mais dois anos. Reiterou que apesar da segurança ter melhorado em Cabo Delgado, continuam a haver ataques esporádicos em algumas zonas, provocando a deslocação de pessoas e levando à mobilização de ajuda para a assistência humanitária.
“Gostaríamos que Cabo Delgado tivesse paz e segurança. Isso significa paz para Moçambique e estamos a trabalhar para atrair mais investimento, onde a paz e segurança são instrumentos importantes para os investidores”, sustentou Chapo. Classificou o encontro com o Presidente do Parlamento português como tendo sido bastante importante, porque serviu para reiterar o pedido de ajuda que já tinha sido feito aquando da sua visita a Bruxelas. “Tanto em Bruxelas como em Portugal dissemos que o gás em Cabo Delgado está em Moçambique, mas ele vai beneficiar também o mundo, sobretudo a UE.
Digo isto porque dentro dos projectos Coral Sul, Coral Norte e outros liderados pela Total bem como a Exxon na Bacia do Rovuma há empresas da Europa, Ásia, dos EUA, África, incluindo do Médio Oriente. Portanto, se pensarmos em geografia global, todos os continentes estão representados nos projectos de gás do Rovuma”, sustentou. É daqui que, no entender de Chapo, é importante que o mundo perceba que a paz em Moçambique, a estabilidade política, económica e social também são a segurança energética do Planeta Terra.
Chapo explicou, ainda, que no encontro com o presidente da AR de Portugal foram abordadas, por um lado, questões de cooperação, amizade entre Portugal e Moçambique, mas também outras do nível da cooperação multilateral. Entre esses pontos consta a cooperação entre a Assembleia da República de Moçambique e a sua congénere de Portugal e, sobretudo, porque na próxima semana haverá também, em Angola, a sessão das Assembleias da República da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), daí a importância de se abordar os aspectos importantes desta cooperação.
Fonte: Jornal Notícias