Da liga da Juventude do MDM: Comissão Política pede adiamento da Conferência Nacional

• Da liga da Juventude do MDM: Comissão Política pede adiamento da Conferência Nacional Membros da Comissão Política da Liga da Juventude do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) defendem o adiamento da Conferência Nacional da organização, marcada para os dias 10, 11 e 12 de Agosto, alegando que o tempo disponível é insuficiente para garantir uma preparação ampla, inclusiva e participativa.

A proposta é que o encontro seja realizado nos meses seguintes, permitindo um processo de mobilização que envolva as estruturas juvenis desde os bairros, povoados e localidades até às sedes distritais, vilas e capitais provinciais.

A Conferência Nacional constitui o órgão máximo da Liga da Juventude do MDM, cabendo-lhe definir as principais orientações políticas e organizacionais da estrutura juvenil, aprovar os seus instrumentos de funcionamento e eleger os respectivos órgãos dirigentes.

Contudo, a realização do encontro está a gerar divergências internas. Enquanto uma ala defende que a conferência decorra nas datas inicialmente previstas, outro grupo entende que a organização exige um trabalho prévio de auscultação das bases e de preparação que dificilmente poderá ser concluído até Agosto.

Fontes da Comissão Política disseram ao Dossiers & Factos que a realização da conferência foi aprovada durante a última reunião da direcção nacional, na cidade de Maputo. Ainda assim, consideram que um processo desta natureza deve ser antecedido por consultas alargadas às estruturas locais.

“A Conferência é o órgão máximo da Liga da Juventude, tal como o Congresso é o órgão máximo do partido. É neste fórum que se discutem e aprovam as linhas orientadoras da organização, sempre conforme os estatutos”, explicou uma das fontes. Encontro acumula dois anos de atraso.

Segundo os membros da Comissão Política, a conferência deveria ter sido realizada há cerca de dois anos, mas sucessivos constrangimentos financeiros impediram a sua convocação dentro dos prazos estatutários. “Esta reunião devia ter acontecido há dois anos. A falta de recursos financeiros para a sua organização levou ao sucessivo adiamento. Nesta altura, já devia estar a decorrer a III Conferência da Juventude do MDM”, referiu a mesma fonte.

O prolongamento desta situação preocupa vários membros da organização, que entendem que a ausência dos órgãos estatutários compromete o normal funcionamento da Liga da Juventude e enfraquece a capacidade de mobilização política do partido junto dos jovens. Segundo afirmam, a inexistência de encontros estatutários tem contribuído para o afastamento gradual de militantes, alguns dos quais acabam por abandonar o MDM e integrar outras formações políticas.

Perante este cenário, defendem que os próximos meses sejam aproveitados para um amplo trabalho de base em todas as províncias, com o objectivo de identificar os jovens que continuam activos na organização, recolher propostas para o reforço institucional da Liga e assegurar que os delegados à conferência representem efectivamente as estruturas locais. “Precisamos de ouvir os jovens que estão nos bairros, localidades, distritos e capitais provinciais sobre aquilo que deve ser melhorado na organização.

A conferência não pode resumir-se à eleição de dirigentes; deve servir para discutir o futuro da Liga da Juventude e reforçar a participação dos jovens na vida política do partido”, afirmou outro membro da Comissão Política. Preparação mais longa para reforçar legitimidade Outra preocupação manifestada pelos entrevistados prende-se com alegadas infiltrações de pessoas sem ligação efectiva ao partido.

Na sua perspectiva, um período de preparação mais alargado permitirá identificar quem continua comprometido com os ideais do MDM e evitar interferências externas no processo de eleição dos novos órgãos.

No final da conferência deverá ser eleita uma nova direcção da Liga da Juventude, em substituição da actual, liderada por Renato Muelanga. Segundo os membros da Comissão Política, o mandato dos actuais dirigentes terminou há mais de dois anos, situação que reforça a necessidade de realizar o encontro, mas sem comprometer a sua legitimidade.

“A actual direcção continua em funções para além do mandato previsto nos estatutos porque ainda não foram criadas condições para a realização da conferência.

Contudo, é preferível organizar um encontro bem preparado, participativo e legitimado pelas bases do que realizar uma conferência apressada”, sustentou uma das fontes.

Questionados sobre a justificativa da falta de recursos financeiros, alguns membros da Comissão Política afirmam não compreender o argumento, lembrando que o MDM beneficia de financiamento público por ter representação parlamentar, além das receitas provenientes das quotizações dos seus membros.

“É difícil perceber por que razão a conferência ainda não foi realizada. O partido recebe anualmente verbas destinadas ao seu funcionamento institucional, para além das contribuições dos militantes.

A gestão desses recursos cabe à direcção, mas entendemos que existiam condições para que este encontro tivesse sido realizado há muito tempo”, referiram.

Apesar das críticas, os membros da Comissão Política dizem manter confiança na liderança do partido e acreditam que ainda é possível rever o calendário inicialmente aprovado.

Na sua opinião, um eventual adiamento para Dezembro permitirá criar melhores condições logísticas, reforçar a mobilização das estruturas provinciais e assegurar que todas as sensibilidades da juventude do MDM estejam representadas antes da eleição da nova direcção.

Dossiers & Factos procurou ouvir a direcção nacional do MDM sobre as reivindicações apresentadas pela Comissão Política da Liga da Juventude, mas até ao fecho desta edição não obteve qualquer posicionamento oficial.

Fonte: Dossiers & Factos

Related posts

Talapa pede intervenção de João Lourenço para travar afastamento do Brasil da CPLP

Protecção da criança em zonas de conflito: Propostas da sociedade civil chegam ao PR

Afirma secretário-geral da Frelimo, em Chimoio: Conferência de Quadros é detoda a sociedade