Empresários reconhecem esforço do Governo: Zero raptos há seis meses, mas ainda reina medo

A classe empresarial parabeniza o Executivo pela redução significativa de casos de raptos em Moçambique, porém, o medo e a insegurança continuam a ser a nota dominante no seio dos homens de negócio.

Embora seja evidente o esforço para combater os raptos, os empresários exigem mais do Governo para arrancar de vez este fenómeno que eclodiu no País em 2011, fazendo mais de 200 vítimas, situação que colocou Moçambique no mapa dos países perigosos para investir. “Apesar do aparente abrandamento desta situação, ainda gera preocupações o facto de as autoridades não apresentarem os supostos mandantes dos crimes”, disse o empresário Muhamad Abdullah, ligado ao Grupo COTUR.

Moçambique está há mais de seis meses sem registo de casos de raptos, situação que tem contribuído para a melhoria da segurança e reforça a confiança e atractividade de investimentos nacionais e estrangeiros.

Os raptos foram identificados como uma das principais ameaças à actividade empresarial, por condicionarem a segurança e confiança dos investidores e empresários nacionais.

Nos últimos anos, estes constituíram uma das grandes dificuldades para que os empresários nacionais e internacionais pudessem fazer negócios à vontade.

Desde Outubro de 2025 quando um empresário português foi raptado na cidade de Maputo e posteriormente libertado que não são conhecidos publicamente novos casos de rapto no País. Dados anteriormente divulgados indicam que dez pessoas foram vítimas deste crime em 2025, contra 15 em 2024, sendo a maioria empresários.

O combate aos raptos é um dos principais desafios das autoridades policiais, que se mostram preocupadas com a liberdade provisória concedida a arguidos alegadamente envolvidos em crimes de rapto, exigindo uma reflexão sobre o tratamento deste tipo de delitos, porque alguns dos detidos pelos crimes de raptos são postos em liberdade provisória mediante o pagamento de uma caução ou sob termo de identidade ou de residência.

No âmbito da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP), realizada há dias em Maputo, o empresário Luís Magaço admitiu que o combate aos raptos que assolam o País, nomeadamente em Maputo e sobretudo os empresários, requer mais “produtividade” principalmente em colaboração com o sector privado e outros países.

“Sentimos que este ano houve uma redução, comparativamente ao ano passado. Os casos de raptos na cidade de Maputo tendem a reduzir e, como podemos notar, até este último caso imediatamente foi esclarecido”, avançou.

Segundo o empresário, Moçambique está há seis meses sem o registo de casos de raptos confirmados pelas autoridades. Esta nova realidade começa a afirmar-se como um factor determinante para a confiança e para os investimentos da classe empresarial nacional e internacional.

Luís Magaço anotou que “queremos Moçambique livre de raptos, livre de crimes, em paz e segurança, por forma que o nosso sector privado possa fazer negócios num ambiente de paz e segurança”.

Por seu turno, o empresário Muhamad Abdullah destacou que será necessário um período prolongado de estabilidade para que os investidores voltem a sentir confiança em aplicar recursos no País.

“Apesar do aparente abrandamento desta situação, ainda gera preocupações o facto de as autoridades não apresentarem os supostos mandantes dos crimes, o que levanta dúvidas sobre a eficácia das investigações e a possibilidade de novas ocorrências”, disse.

Afirmou que as redes responsáveis pelos raptos podem continuar a operar de forma organizada e discreta, envolvendo diferentes grupos criminosos. Este resultado representa um marco no reforço da segurança pública e na recuperação da confiança dos cidadãos e dos investidores.

“Qualquer turista, quando vai a um País, normalmente leva a sua família e uma das coisas mais importantes é a sua segurança. E ele foge enquanto não sentir um ambiente saudável para visitar o País”, explicou.

Medidas urgentes e severas contra os raptos

O empresário Kekobad Patel elogiou o Executivo pela redução de casos de raptos contra os empresários nacionais, afirmando que “são necessárias medidas urgentes e severas contra os raptos para se cortar o mal pela raiz. Os raptos diminuem a atracção de investimento. Sentimos o impacto negativo, por isso esperamos que as autoridades possam trabalhar para trazer um clima de segurança. Sabemos que os investidores só metem dinheiro onde terão retorno”.

O empresário defendeu que tem de haver “vontade de quem está ligado à segurança” para acabar com o problema. “É necessário que a nossa Polícia esteja organizada e implacável. E, se calhar, pedir auxílio de países com experiência na luta contra este crime”, defendeu.

“Por isso, devemos encontrar fórmulas de acabar com este mal que só prejudica a nossa economia”, disse.

Sublinhou que o Governo entende que o sucesso económico do País depende de um esforço colectivo entre o sector público e privado. “A parceria entre o Governo, as empresas e as instituições financeiras será fundamental para garantir que mais projectos inovadores saiam do papel e se tornem realidade”, declarou.

Para o empresário Ângelo Cumato, o combate aos raptos deve ser vencido na totalidade, nomeadamente em Maputo, e sobretudo dando segurança aos empresários que querem investir em Moçambique.

Destacou que “uma das exigências do sector privado é realmente que se operacionalize a brigada anti-raptos anunciada pelo Governo, faz já muito tempo”.

O empresário considera os raptos como fenómenos que atrasam o desenvolvimento do País, na medida em que desincentiva o investimento nacional e estrangeiro.

“Todos nós temos que continuar a trabalhar dia e noite para que esta redução se torne para sempre em Moçambique, para desenvolver a nossa economia”, disse.

Dados apresentados pelo Governo no Parlamento, este ano, indicam que o País registou desde 2011 concretamente 205 crimes de rapto, distribuídos pela cidade de Maputo (133 casos), província de Maputo (49) e Sofala (9 casos). Este fenómeno teve o seu pico em 2013, parte final do segundo e último mandato de Armando Guebuza, com 37 casos registados.

Cerca de 300 pessoas envolvidas em casos de rapto foram detidas desde os primeiros registos destes crimes em Moçambique. Nos últimos 12 anos, uma centena de investidores também deixou o País por receio, segundo números divulgados em 2024 pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

Fonte: Magazine Independente

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