Crise interna na Renamo: Membros do partido recusam mediação de Manuel de Araújo

As divergências entre a ala que contesta a liderança de Ossufo Momade e o grupo chefiado pelo delegado provincial da Renamo na Zambézia, Inácio Reis, continuam a agravar-se, tornando cada vez mais distante qualquer entendimento entre as partes. Depois de Inácio Reis ter apelado há dias, publicamente, ao presidente do município de Quelimane, Manuel de Araújo, para intervir na aproximação entre os dois grupos, os contestatários responderam, ontem, convocando a imprensa, na Delegação Provincial de Quelimane, para rejeitar a iniciativa, que classificam como uma tentativa “sem efeito” e desprovida de legitimidade política.

Em declarações aos jornalistas, o coordenador da Comissão de Gestão da Renamo na Zambézia, Chaúque Samajo, afirmou que a única via para ultrapassar a crise interna passa pela convocação de um Conselho Nacional Extraordinário que conduza à eleição de uma nova liderança do partido. Segundo Samajo, a mediação de Manuel de Araújo não vai resolver o diferendo, uma vez que o conflito está ligado à liderança nacional da Renamo e não a desentendimentos de carácter provincial. Acrescentou que o autarca de Quelimane foi, no passado, alvo de críticas e de alegados actos de hostilidade por parte de figuras que hoje solicitam a sua intervenção, razão pela qual considera contraditório o pedido dirigido pelo delegado provincial.

Acusou ainda Inácio Reis de ter combatido posições defendidas por Manuel de Araújo durante reuniões internas do partido e de ter contribuído para o enfraquecimento da Renamo na província durante o último ciclo eleitoral, sustentando que, por isso, “não tem legitimidade moral” para solicitar o apoio do autarca. Durante o encontro com a imprensa, Samajo reiterou que a Comissão de Gestão não reconhece a autoridade política de Inácio Reis para dirigir o partido na província, afirmando que “não há espaço” para o delegado exercer as suas funções enquanto não houver uma solução para a crise de liderança.

Perante dezenas de apoiantes reunidos no local, o responsável defendeu que a posição da ala contestatária reflecte a vontade da maioria dos membros do partido na Zambézia e anunciou que a mobilização continuará nos próximos dias, em defesa da realização do Conselho Nacional Extraordinário. Questionado sobre a coexistência de dois centros de funcionamento da Renamo em Quelimane, Samajo desvalorizou a situação, afirmando que apenas um representa a estrutura reconhecida pelos militantes, enquanto o outro corresponde, na sua óptica, a um grupo restrito de apoiantes do actual delegado provincial.

A crise interna na Renamo na Zambézia intensificou-se nas últimas semanas, com sucessivas trocas de acusações entre as duas alas, num contexto em que persistem divergências sobre a liderança do partido e os mecanismos para a sua renovação. Enquanto o grupo de Inácio Reis defende a reconciliação interna, os contestatários insistem que qualquer entendimento depende, exclusivamente, da realização de um conselho nacional extraordinário que conduza à eleição de um novo presidente.

Fonte: Jornal Notícias

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