Os bancos comerciais moçambicanos movimentaram 4,6 mil milhões de dólares em operações cambiais com clientes durante o segundo trimestre de 2026, um crescimento de 8,4% face aos 4,3 mil milhões de dólares registados nos primeiros três meses do ano.
Os dados constam do mais recente Boletim dos Mercados Monetário Interbancário e Cambial, relativo ao segundo trimestre, elaborado pelo Banco de Moçambique (BdM) e consultado esta quarta-feira (19) pelo Diário Económico.
De acordo com o documento, entre Abril e Junho, as compras de divisas efectuadas pelos bancos aos seus clientes ascenderam a 2,018 mil milhões de dólares, mais 15,1% face aos 1,7 mil milhões de dólares registados no primeiro trimestre.
No mesmo período, as vendas de moeda estrangeira aos clientes atingiram 2 mil milhões de dólares, um aumento de 22,5% em relação aos 1,6 mil milhões de dólares movimentados entre Janeiro e Março. O boletim indica ainda que as operações com derivados financeiros totalizaram 628,7 milhões de dólares no segundo trimestre, abaixo dos 904,7 milhões registados nos primeiros três meses do ano.
A evolução das operações cambiais ocorreu num contexto de maior disponibilidade de divisas no mercado. Na mais recente reunião do Comité de Política Monetária, realizada a 29 de Julho, o banco central referiu que o mercado cambial apresentou “maior fluidez” durante o primeiro semestre, sustentada sobretudo pela indústria extractiva, que registou níveis elevados de compra e venda de moeda estrangeira.
Apesar do aumento da actividade cambial, o metical manteve-se praticamente estável face ao dólar norte-americano durante o segundo trimestre. Segundo o BdM, as taxas de câmbio efectiva e de referência permaneceram praticamente inalteradas, embora tenha ocorrido um ligeiro alargamento do diferencial entre ambas.
No final de Junho, a taxa de câmbio efectiva situava-se em 63,90 meticais por dólar, enquanto a taxa de referência estava fixada em 64,01 meticais por dólar.
Os dados mostram, assim, que o crescimento da actividade cambial foi sustentado sobretudo pelo aumento das operações de compra e venda de divisas entre a banca comercial e os seus clientes, num período marcado por maior circulação de moeda estrangeira.
Fonte: Diário Económico