Mercado de capitais: Bolsa de valores cresce 6.8% e quer mais empresas moçambicanas

A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) registou um crescimento na ordem de 6.8% no primeiro trimestre de 2026, atingindo cerca de 217 mil milhões de meticais em produção bolsista, um desempenho que, segundo a instituição, demonstra maior interesse dos investidores e o papel crescente do mercado de capitais no financiamento da economia nacional.

A informação foi avançada pelo director de Operações da BVM, Harold Paka, durante a 20.ª edição do Económico Briefing da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), onde destacou a importância da bolsa como instrumento de mobilização de poupança e financiamento ao investimento produtivo.

“O mercado bolsista em qualquer economia moderna, mais do que um simples espaço de negociação de títulos, é um mecanismo de mobilização da poupança, de financiamento ao investimento produtivo e de criação de riqueza”, afirmou Paka.

Segundo o responsável, a BVM caminha para se assumir como “verdadeiro barómetro da economia nacional”, reflectindo a percepção dos investidores sobre o desempenho e as perspectivas futuras do país.

Actualmente, o mercado conta com 85 títulos cotados, entre obrigações do tesouro, obrigações corporativas e papel comercial, registando uma diversificação gradual dos instrumentos financeiros disponíveis.

Paka destacou ainda o crescimento das obrigações corporativas, considerando que o segmento representa uma alternativa para empresas que enfrentam dificuldades no acesso ao crédito bancário.

“Num contexto em que o acesso ao crédito bancário continua a apresentar desafios para muitas empresas, o mercado de capitais surge como uma solução estratégica para financiar a expansão dos negócios”, disse.

BVM quer democratizar acesso à riqueza

A Bolsa de Valores defende que o desenvolvimento do mercado de capitais deve permitir maior participação dos cidadãos nos investimentos e nos grandes projectos económicos do país.

Paka revelou que a Central de Valores Mobiliários, serviço responsável pelo registo e gestão dos valores mobiliários emitidos em Moçambique, contabiliza actualmente 360 títulos registados e mais de 27 mil investidores.

O director de operações considera que a inclusão de cidadãos nos grandes investimentos nacionais pode transformar o mercado financeiro.

“Trata-se de um instrumento concebido para promover a inclusão económica, democratizar o acesso à riqueza gerada pelos grandes investimentos e reforçar a participação dos nacionais nos sectores estratégicos da economia”, explicou.

A iniciativa surge num contexto em que o quadro legal das parcerias público-privadas, projectos de grande dimensão e concessões empresariais prevê a disponibilização de uma parcela do capital social destas empresas a cidadãos, através da BVM.

Apenas 11 empresas cotadas

Apesar do crescimento do mercado, a BVM reconhece que ainda existem limitações, sobretudo no número reduzido de empresas cotadas.

Actualmente, a bolsa conta com 11 empresas listadas, depois de já ter alcançado 18 empresas no passado, número que reduziu devido ao incumprimento de regras e questões organizacionais.

“O mercado de capitais continua fortemente concentrado em títulos do Estado e o segmento accionista permanece reduzido face ao potencial da economia moçambicana”, afirmou Paka.

Para a BVM, aumentar o número de empresas cotadas deve ser uma prioridade envolvendo o sector privado, reguladores, instituições financeiras e associações empresariais.

“A Bolsa não cresce sozinha. Ela cresce quando as empresas crescem. Cresce quando existe investimento. Cresce quando existe confiança na economia”, defendeu.

A instituição considera que uma economia que pretende industrializar-se, criar empregos qualificados e aumentar a competitividade necessita de um mercado de capitais mais profundo, robusto e inclusivo.

Fonte: mediaFax

Related posts

Moçambique E Estados Unidos Reafirmam Parceria Estratégica Com Foco Em Investimento, Saúde, Energia E Desenvolvimento Humano

Gás de Moçambique ganha peso na estratégia energética da UE

Reabertura de Ormuz pode aliviar preço de Combustiveis